A Resposta De Milton Neves (parte 1 De 3)

Essa é a primeira parte da resposta que recebi na sexta-feira, 26 de novembro, ao e-mail que enviei ao programa do Milton Neves na segunda-feira, 21 de novembro, cujo conteúdo está no post abaixo. Como a mensagem é muito longa, teve de ser publicada em partes. Mas a resposta na íntegra, semquebras,estará no blog do Bollotaz em http://members.lycos.co.uk/bollotaz/blog.php (http://bollotaz.1l.com/blog.php)

Prezado André, tudo bem? Peço ler os dois “Secos pra Você” que foi publicado nos dias 13 e 20 de novembro de 2005, na minha coluna no Jornal Agora São Paulo e que também está no meu site www.miltonneves.com.br. Valeu?

Encanto quebrado

Vi o Mike Tyson de perto lá no Barbacoa. Meu amigo Delcir Sonda até lhe deu conselhos “pra se prevenir” quanto às mulheres fáceis. Vendo o Tyson, lembrei-me de um urso, dos grandões, comendo salmão no rio raso. Mas fiquei pensando no Paulo Pingaiada também. Paulo Pingaiada – Paulo Rogério Scottini -, já morto, foi goleiro e boiadeiro lá em Muzambinho, nos anos 50 e 60. Foi levar uma boiada para Flórida Paulista – jamais vou me esquecer desse nome – e lá resolveu ver um treino do time da cidade. Era da 3ª ou 4ª divisão paulista. Calibrado, pediu para jogar e fechou o gol. Foi contratado para experiência e depois de 10 dias Muzambinho “entrou em polvorosa” com uma grande “bomba”. “Saiu o nome do Paulo Pingaiada na Gazeta Esportiva”, gritavam as ruas. Só se falava naquilo. É que a Gazeta Esportiva era uma espécie de Rede Globo de hoje pra nós lá da terrinha. E saiu pequenininho, no espaço das escalações. O Flórida tinha empatado fora e na formação do time estava lá: Fulano (depois Paulo). Paulo, essas cinco letras representaram para nós uma medalha de ouro olímpica! Antigamente, era assim, na época só do rádio e da Gazeta Esportiva, que chegava só… à noite! Jogador não era visto, era “imaginado”. Dias, Carabina, Bianchini, Geraldo Scotto, Julinho, Pepe, Pelé, eram monstros, gigantes, inacessíveis, deuses, heróis em nossa imaginação. No cartaz – a mídia possível – do jogo de domingo no Bar Majestic, quando o Muzambinho EC recebia o Radium de Mococa, Alfenense, Cruz Preta ou Passense, a gente arregalava o olho porque o adversário vinha “enxertado” de um ex-juvenil do Olaria, um antigo jogador do Juventus ou Bonsucesso, ou de um ex-aspirante da Ponte Preta! Isso era a glória, eram “profissionais” que iam jogar em Muzambinho! E o velho Professor Antonio Milhão ficava “lotado”com oitocentos torcedores, todos olhando quem era o “profissional” do Rio ou São Paulo, como ele andava, a “panca”, o cadarço amarrado na canela ou na barriga da chuteira. “Nooooossaaa, ele tem chuteira Gaeeeeeeta”, dizia o sapateiro Zé Octaviano Salles, expert na matéria. É que, Gaeta, à época, era chuteira só para os ricos. Mas, o tempo passou e veio a TV. Os jogadores passaram a ser vistos, não mais imaginados. Foi broxante. Pô, eles são iguais a nós mesmos, “descobrimos”. Em jogos de férias na região, feras de Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, jogando pela “seleção de fora”, não eram mais admirados, mas vaiados e até xingados. É que devido à TV, viraram “carne de vaca”. Foi o caso do Mike Tyson, não gostei de vê-lo. Ele me assustava, até perdia o sono, pelo susto que me passava ao destroçar tanto pugilista em madrugadas passadas. Imaginava-o distante tanto quanto a Lua, inacessível, uma lenda. Vendo-o tão perto, à mesa, fiquei com dó, ele é meio pancada e foi quebrado um encanto. Ele não é igual a nós, é menos, é menor. Coitado. Fiquei triste.

A bobagem da classificação

Até parecia final de Copa do Mundo. Quem viu a festa e o entusiasmo da torcida do Boca antes, durante e depois dos 4 a 1 contra o assustado Inter, entendeu perfeitamente porque os argentinos goleiam os brasileiros em número de conquistas de Copa Libertadores. Ninguém vibra mais no mundo do que torcedor argentino num jogo de futebol. E foi pela Sulamericana, “o torneio que não vale nada”. Se não vale nada, por que os brasileiros dela participam? E por que ficam falando, como neste final de Brasileiro que “queremos o título, ou a Libertadores ou então a classificação para a Sul-americana do ano que vem?” Aí, quando chega a dita cuja, dá-lhe time reserva, que perde!!! Pronto, lá vem critica. Poupar jogador pode, perder não pode. Dá para entender? O Flu perdeu no Chile e ganhou a contusão de Petkovic. O Inter perdeu de goleada do Boca e voltou complexado com o massacre do campo e da arquibancada. O Corinthians, o legítimo, o Corinthians próprio sem a vitamina MSI, foi patético diante do anêmico Pumas e “Kia ficou ravo e exige vitória hoje contra o Coritiba”. Ué, se não podia perder no Chile e o título era importante para internacionalizar o nome Corinthians, por que tanto titular ficou coçando em São Paulo? E o “argumento” de que a Sulamericana não classifica para nada? Ora, ela é mais uma competição que tem começo, meio e fim e que “classifica” todos aqueles que vivem do e em torno do futebol a dela participar. É óbvio. Participando dela você ganha uma “classificação” para exercer sua função nesse meio chamado futebol. Seja jogador, técnico, árbitro ou jornalista. Ao jantar no seu restaurante, você se “classifica” a ter momentos de prazer e bem estar. Como ao sair do teatro, do cinema, do museu, do estádio, do hotel, do motel… Você foi lá e pronto. Não foi lá para se “classificar”, mas para curtir, relaxar, viver. Os momentos acabam, eterno é só Deus, e até a Copa do Mundo tem um fim. Ao terminar, os campeões terão se “classificado” à graduação da eternidade, mas agora sem a garantia de “classificação” para a próx a Copa. E isso vale para a seleção campeã e para os jogadores que lhe deram o título. Alô, torcida do Boca, parabéns! O negócio é mesmo ter satisfação na vida curtindo-se cada momento presente. Por que cada situação precisa ter a perspectiva da “classificação” para um próximo degrau? Ei, cuidado, não vá tropeçar, hein? Ah, sobre a vergonha no Pacaembu, peço ler o que o diretor do Núcleo Javem da editora Abril, Adriano Silva, escreveu:

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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