>Como nossos pais

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Ontem eu conheci no futebol alguns rapazes e pude perceber uma triste realidade de muitos jovens que estão vivendo nas periferias do Brasil. Conheci um rapaz de 17 anos que havia parado de estudar no sexto ano do ensino fundamental e ainda pretendia não fazer o alistamento militar. Não apenas eu como dois outros rapazes, um cozinheiro de 20 e um vendedor de 23 o aconselhavam a mudar de atitude e correr atrás de uma vida mais digna.

Todos nós que estávamos envolvidos na conversa relataram envolvimento com vícios. Eu era fumante por 4 anos e parei há 3 meses. O vendedor contou que tinha perdido a mãe aos oito anos e já havia consumido maconha e cocaína na época da escola, e o cozinheiro contou que já era viciado em drogas e por pouco não havia arruinado sua vida. A verdade é que eles há muito tempo estão sóbrios, e abandonaram o vício há muito tempo, por causa da família. E eu havia parado por causa da minha saúde.

O nosso conselho ao jovem de 17 era o mesmo que havíamos recebido de nossos pais: não jogue a vida fora com uma vida marginal, estude e procure ser alguém na vida. E o vendedor foi além: é preciso dar condições a nossos filhos poderem ter uma vida melhor que tivemos. E é isso que todos os pais esperam de nós: uma vida melhor que a que tiveram. Alguns jovens não tem a sorte de terem pais que se compromentem em formá-los para serem pessoas batalhadoras, simplesmente por não possuírem formação moral e de vivência para conduzir a criação e educação de um filho, problema freqüente nas regiões periféricas, onde pessoas muito jovens, ainda adolescentes, tem filhos.

A cultura em que nos foi imposta, boa parte dos Estados Unidos, insiste que os nossos jovens precisam amadurecer rapidamente. E isso é um erro gravíssimo. Acelerar o relógio do tempo é algo que beira a falta de inteligência, visto às graves conseqüências que isto pode ocasionar, sobretudo àqueles que não estão preparados a isto. É preciso aos poucos assumir nossas responsabilidades, mas mantendo a essência jovem, para não amadurecermos precocemente e jogarmos fora o melhor momento de nossas vidas: a juventude.

Vejo muito, onde vivemos, que nossos jovens passam a tomar como exemplo aqueles que tem mais posses, e boa parte deles são criminosos, cujas posses são de forma transitória, já que tudo o que possuem não são legitimamente deles. Ao tomar como exemplo, muitos jovens caem na criminalidade, com a promessa de viverem uma "vida fácil", por conta do modo difícil de vida que levam e por acreditar erroneamente que não há possibilidade de escape desse modo de vida. Durante a nossa conversa lembramos que aos criminosos não existe vida fácil e que a eles só existem dois destinos: cadeia e caixão.

É hora de colocar na cabeça do jovem que é possível investir em uma vida longe da marginalidade e é possível nos tornarmos vencedores mesmo nascendo em berços humildes.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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