Por Que Se Orgulhar De Nossos Defeitos?

Vivemos em uma sociedade em que muitas pessoas bradam com orgulho que são mal-educadas, ou que não gostam de ler, estudar ou trabalhar, ou ainda que são preconceituosos ou racistas. Qual a razão dessa inversão de papéis? Por qual motivo se valorizam os defeitos, em vez das virtudes?
Sob meu ver, a razão é cultural. Nossas ideologias são abstratas e se comparam equivocadamente com modelos históricos vividos por outros povos buscando uma identidade a qual nunca possuiu, sob estes moldes. E nestes, havia a figura do heroi, o personagem responsável por uma quebra de conjuntura, provendo a mudança de uma situação desfavorável para outra, oposta e bem-sucedida. Em nossa história, toda tentativa de ruptura foi violentamente reprimida, como nos casos de Tiradentes, Zumbi, Antônio Conselheiro, entre outros. Alia-se ao fato de outros personagens ter suas histórias distorcidas, valorizando seus feitos, sem mencionar seus danos, tais como Anhanguera, Dom Pedro I, Marechal Deodoro, Getúlio Vargas, Jucelino Kubitsheck, entre outros.
Há uma leitura errônea da história do Brasil e esta interpretação dúbia a torna inverossímil, quase ficcional. Isto posto, a faz incrédula, complexa, incompleta, fazendo com que o cidadão brasileiro não se apaixone pelo seu passado e não exprima seu sentimento de orgulho patriótico, sendo isto terreno fértil para a xenofilia, ou o sentimento de amor exagerado às culturas e comportamentos extrangeiros, dada à equivocada percepção de nulidade cultural, o que o escritor Nelson Rodrigues o batizou de “complexo de vira-latas”.
Este complexo se radicalizou nas décadas de 1970 e 1980, com a proposta educacional ambígua do regime militar e a crise econômica que seguiu, em um processo de redemocratização mal-formulado sendo agente de um caos social que somente começou a ser dissolvido na década seguinte, de forma lenta e desorganizada, sendo hoje a causa de muitos dos males sociais.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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