Sem Titulo 21/4/2010-17:1

Incorporações de Bancos: O que acontece?

Olá, caro leitor. Este é meu primeiro artigo sobre finanças e espero que venha trazer informações valiosas a todos. Inaugurando esta categoria de artigos, venho falar de incorporações de bancos, algo que vem ocorrendo com muita frequência nos últimos 10 anos e que muitas vezes deixam os clientes preocupados. Por isso vou tentar explicar como esse processo ocorre internamente, e assim, não restem dúvidas, tranquilizando-nos. E como sei como funciona isso? Eu sou bancário, trabalhei em terceirizada de banco e hoje vivo essa experiência como cliente tanto do lado do banco incorporado, como do lado do banco que vai incorporar.
A primeira coisa que acontece quando se efetiva uma incorporação é um processo interno. Serão feitos levantamentos de carteiras de clientes, funcionários, sistemas, bancos, para negociar qual sistema, quais organismos, quais métodos de negócio, números de agência e conta, deverão ser mantidos. As bases de dados (cadastros) são compartilhadas e os sistemas dos bancos, começam a ser integrados.
Em seguida, ambos os bancos vão negociar quais serviços que serão migrados de um banco para outro. Assim, produtos e serviços de ambos os bancos seriam migrados da seguinte forma: o melhor ou mais rentável, permaneceria e o equivalente inferior do outro banco, seria incorporado ao outro serviço. Produtos e serviços seriam aos poucos unificados, começando pelos que oferecem menor impacto ao cliente, como investimentos, produtos para alta renda, linhas de crédito. Mas isto não significa que o cliente que possui um determinado serviço seja forçado a mudar, para quem tem, nada muda. O que pode ocorrer a princípio, é que um determinado produto ou serviço não aceite mais adesões. Depois outros produtos e serviços seriam unificados como por exemplo, cartão de crédito. Hoje, a maioria dos clientes Nossa Caixa, por exemplo, tem cartões de crédito Ourocard (do Banco do Brasil), assim como o Santander tem oferecido aos clientes do Banco Real, seus cartões de crédito. Neste mesmo período começariam as integrações das agências, fazendo com que clientes de um banco possam fazer operações financeiras em terminais e caixas de outro. Nesta fase, também há a unificação estatutária e também organizacional: empresas coligadas equivalentes são unificadas e os funcionários de ambos os bancos passam a ser regidos pelas mesmas normas e regras.
A última e mais complexa etapa é a da migração das agência e contas dos clientes para uma base de dados comum. Sempre o banco menor ou o incorporado, vai ter de passar pela mudança dos números de agência e conta, o que pode parecer traumático para os clientes, pois eles deverão se readaptar. Geralmente essa mudança é gradual, exceto na incorporação do Sudameris pelo Banco Real em 2007, em que todas as agências mudaram de número, de um dia para o outro, o que seria um impacto grande, se o Sudameris não fosse um banco pequeno e o sistema dos dois bancos não estivessem unificados desde um ano antes.
Essa adaptação é global: passa pelas organizações, pelas agências, funcionários, e por fim, os clientes. Essa mudança também passa pelo padrão de atendimento, que varia de banco para banco, pois cada um tem sua política de atendimento própria, o que pode ser um choque para alguns, mas um alívio para outros. De fato, mudanças grandes acontecerão, procurando claro, promover benefícios para todos. Mas trata-se de um processo, que leva tempo, e é preciso um pouco de compreensão e paciência, para conferir se houve êxito.
Este ano veremos se concretizar o processo de três grandes incorporações: a do Unibanco pelo Itaú, a do Banco Real pelo Santander, e a da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. São bancos que buscam a liderança no mercado brasileiro, mas que farão sucumbir marcas consolidadas (Unibanco e Banco Real até o final do ano, Nossa Caixa, até julho). Quem é cliente dos bancos incorporados está notando que está mudando o seu relacionamento com o banco e ainda mais quando este processo terminar. Mas lembrem-se que manter os clientes é considerado numa incorporação e isto pressupõe que após sua conclusão, teremos uma melhor relação com o banco. Portanto sejamos otimistas.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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