Obrigado, Espanha!

A decisão da copa do mundo me deixou satisfeito. Isto pois uma copa do mundo costuma seguir as sombras da copa anterior. A sombra do futebol feio, porém eficiente, do título italiano em 2006 assombrava o Soccer City naquela noite de 11 de julho de 2010. E assim foi o tom desta copa até então com partidas violentas e futebol pragmático de muitas das consideradas favoritas, e assim, uma a uma, foram sendo eliminadas: primeiro a França, depois a Itália, Costa do Marfim, e seguindo esse triste cortejo se foram Inglaterra, Portugal, Brasil (infelizmente, mas com justiça), Argentina, e restou o último dos pragmáticos: a Holanda.

O time holandês é de um pragmatismo irritante. Não ataca, contra-ataca com uma jogada bem manjada. Mas joga nos nervos adversários. Joga sujo, de forma desleal, com muitas faltas, algumas de violência desnecessária, de modo a desestabilizar o adversário e se aproveitando do pior nível de arbitragem das últimas copas do mundo, que não pune, sendo conivente com um jogo sujo de um time que joga como vilão. Infelizmente a seleção brasileira caiu no seu jugo, da mesma forma que tentaria contra a Fúria, felizmente em vão.

O futebol do time espanhol é ofensivo, bem tocado e bem jogado, sem destacar um ou outro e sem jogar todas as fichas nas costas de um jogador. Um time que dá gosto de ver e torcer. Mesmo assim, era uma tarefa herculínea. Vencer um time que não joga e não deixa jogar é um exercício de paciência, quase como um jogo de xadrez que em alguns momentos quase se fez em xeque, não o sendo graças a Casillas.

E assim o jogo foi à prorrogação, sem mudar o panorama do jogo: ataque de guerreiros contra defesa de brucutus. Até que faltando poucos minutos para o final da prorrogação, o momento derradeiro: o gol espanhol selou a derrota do pragmatismo, dos pseudo-tecnicos, da arrogância, da violência, do futebol defensivo e sem emoção. Uma resposta ao futebol de resultado. Uma resposta ao time que não joga para ganhar. Um basta ao futebol que não empolga, que não emociona.

A emoção do título espanhol foi a legítima emoção do futebol. Uma emoção que esperamos ver de novo pelo time brasileiro em 2014.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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