Essa Gente

De minha janela, eu olho para uma gente. Uma gente sem rumo, sem propósito, sem razão. Quando olho para essa gente, vejo o passado. Um passado inoportuno, formado pela soma de males que castigam essa gente, e esta não percebe, pois de tamanho castigo, esta já não sente os golpes nela desferidos. Não percebe que foi conduzida e manipulada a viver sem rumo, sem razão, sem futuro. Um futuro que mira coisas e não estados, que mira posses e não poderes, que mira uma vida medíocre a viver plenamente com a consciência de mudar para melhor o universo que o rodeia. Agem de forma inconsequente, e até mesmo criminosa, por não acreditar que podem fazer a diferença. Vive para ser igual, vive para ser malandro, vive numa estranha utopia, de que agindo de forma predadora e perversa pode alcançar a redenção entre seus iguais. Gente pobre e tola. Não sabe que esta cultura de destruição o levará à ruina. Ruina esta que corrompe famílias, destroi vidas, constroi discordia e semeia a morte. Morte que mata a cada dia nossa juventude, morte que faz com que pais tenham que chorar a morte de seus filhos, e não o contrário. Morte que apaga sorrisos, que elimina possibilidades, que propicia derrotas antes que se iniciem as pelejas.

Quando olho para essa gente, me dá vontade de chorar. Chorar a amargura de não ver neles exemplos de humanidade, exemplos de vidas que geram vidas, de almas que iluminam o que está ao seu redor. Choro com raiva e revolta, pois seus filhos os terão como exemplo e compartilharão dos mesmos erros.

Essa gente não é culpada da sina que tem. Não merece ser castigada por tal destino. Os culpados foram outros, que impiedosamente foram egoistas e não ofereceram uma alternativa para que esta gente possa prosperar. Essa gente me traz pena, pois a sua revolta pode matar os justos e tornar esta terra um lugar sem lei, sem ordem, nem progresso, onde quem manda corrompe, e quem obedece, não obedece.

E assim, todas as noites rezo em silêncio, não para que esta gente me ataque, mas que se defenda de todo esse mal. Amem.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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