A Triste Fôrma Da Intolerância Precisa Ser Quebrada

Presenciamos nos últimos dias, atos que afrontam a liberdade de sermos diferentes. Seja pela origem, raça, orientação sexual, vimos atos que tinham como tônica desde palavras rudes a ações violentas que deflagraram em nossa sociedade nossa face mais vil e cruel. O preconceito contra nordestinos, proferidos no Twitter, passando por fundamentalismo religioso, até culminar com atos de violência contra homossexuais em São Paulo e no Rio de Janeiro e assassinatos de mendigos no nordeste, abrem o debate para a causa da intolerância, seja de autoria de nefastos grupos neonazistas, ou até mesmo de instituições como a Faculdade Mackenzie, nos casos mais graves de homofobia dos tempos recentes. É uma realidade crítica e esta é consequência da ausência de senso crítico, que é o fator que nos permite uma percepção mais lúcida dos fatos, e tudo isso foi agravado pela insipiência dos candidatos durante a campanha eleitoral no Segundo Turno.

Quando não há senso crítico, todas as ideias, incluindo aquelas que não se amparam em valores éticos, acabem por ser consideradas como verdades. Já havia, em um artigo anterior que escrevi sobre a verdade, debatido sobre os valores que a permeiam, sendo esta ampla e irrestrita, abrangente a ponto de ser aceita por todos. Mas o senso crítico permite também contestar verdades perenes, que são aquelas que são aceitas num determinado tempo e espaço. Exemplos de verdades perenes eram termos como Feudalismo, Nazismo, Facismo, Escravismo, que eram verdades até então aceitas, num tempo e espaço definidos, mas que foram superadas por outras, que contemplavam uma gama de valores mais abrangentes e mais críveis por outros. Inclusive algumas verdades tiveram de se atualizar aos tempos para que pudessem continuar sendo aceitas, como o Cristianismo, por exemplo. Mas estamos vendo uma deturpação da verdade, com uma interpretação manipulada, para atender aos anseios e requisitos de alguns grupos. Se a verdade é única, qual a razão de interpretá-la a seu modo? O que querem com essa interpretação dúbia é confundir os incautos, e espalhar fatos caluniosos, tendo como base fatos verdadeiros, sendo uma prática nazista muito bem empregada para espalhar o ódio contra determinados grupos de pessoas. E a ausência de senso crítico, permite que essas falácias sejam aceitas como verdades, pois não são debatidas e contestadas.

O ódio é o sentimento de defesa que temos contra algo que nos impõe ameaça. E quando este ódio provém do preconceito, temos o mais primitivo e egoísta sentimento ilusório: a ignorância. As pessoas devem entender que existe uma realidade ampla, e que esta deve ser analisada com enfoque crítico e racional, observando o ponto de vista de todas as partes envolvidas até que haja um consenso. A ignorância se dá quando uma ou mais partes envolvidas não são consideradas no embasamento de seu argumento, tornando-o parcial. Ignorar pontos de vista de um fato não é apenas injusto, mas covarde. Covarde pois não oferece à parte excluída, o direito de participar do debate. A ignorância truculenta que recai sobre algumas mentes pensantes neste país joga a opinião pública em uma zona de conflito, o que é pertinente a certos grupos de nosso país que desejam poder a resolver questões importantes.

Em razão disso, é preciso encampar em uma luta. Uma luta contra esta injusta realidade onde as verdades são corrompidas, por mesquinhos ideais preconceituosos. Como se as pessoas pudessem ser moldadas em uma fôrma, a qual sejam forçadas a agir pensar e ter características iguais entre si. Mas assim como é nossa impressão digital, somos todos diferentes e agimos, pensamos e temos preferências diferentes. Vamos quebrar a forma do preconceito. As pessoas precisam ter o direito de ser diferentes e ter essa diferença respeitada.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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