A Retórica E A Vanguarda

Chegamos a uma época em que o debate de ideias nos recai ao dilema de aceitar uma proposta sem objeções ou rejeitá-la categoricamente. O que influi em uma ou outra atitude é o grau de conhecimento que se tem do tema debatido, pois o conhecimento amplia a capacidade de observar alternativas, e antever suas consequências, analisando suas relações de causa e efeito. Em muitas das questões abordadas, temos dois grupos antagônicos: os retóricos, que defendem seu ponto de vista sem ter como base todos os argumentos lógicos, críveis e plausíveis possíveis, e os vanguardistas que contestam este ponto de vista procurando responder os retóricos com argumentos lógicos e embasados em afirmações pautadas pelo senso crítico e por bases de conhecimento atualizadas.

Porém vemos que o debate é permanente, pois o conhecimento é formado por informações que se atualizam permanentemente, e isto faz com que um argumento que era considerado válido em uma determinada época, deixe de sê-lo, tempos depois. Teorias permitem criar cenários que comprovam se esta é uma afirmativa válida ou não. Mas nem sempre uma teoria pode ser comprovada, apenas contestada, baseando-se em argumentos que contestam os argumentos utilizados para que uma teoria seja considerada válida. Esta relação teórica e filosófica permite explicar o que é uma pessoa conservadora e retórica: se ampara em uma teoria que mesmo deixando de ser válida, é por ela defendida, desprezando os argumentos contrários que a contestam. Uma pessoa vanguardista pode se tornar retórica, quando não admite que novas ideias venham a contestar suas ideias defendidas anteriormente, pois não permite que novos argumentos venham enriquecer ou mesmo mudar sua opinião diante de uma questão levantada.

Muitos grupos em nossa humanidade possuem comportamento retórico e ortodoxo, pois estes em vez de adaptar suas culturas a novos tempos mumificam-nas, embalsamando-as em ideias e argumentos defasados e já contestados. A estes grupos, foi-lhes abdicado o senso crítico, impedindo-lhes de questionar e contestar ideias, sob a denominação de dogmas. As organizações religiosas são exemplos do pensamento ortodoxo, mas a razão desse pensamento está mais na defesa da tradição do que ausência de interesse em propor novas ideias. Grupos não religiosos, sobretudo os políticos, por sua vez, a razão da retórica está na defesa de seus interesses, em contraposição aos interesses de grupos que se opõem a suas ideias. Estes grupos político-ideológicos alegam que seus argumentos são os alicerces que mantem vivas suas ideologias. Como os conceitos defendidos pelos retóricos já estão inseridos dentro de um contexto já estabelecido (status quo), uma possível contestação destes conceitos provocam uma reação agressiva por parte de seus adeptos. Além disso, há uma tendência natural das pessoas em tomar para si teorias e mesmo sem questioná-las, aceitá-las e defendê-las, por uma questão de lealdade ou identificação ao grupo ideológico que defende tal teoria, tornando-os ainda mais retóricos, pois estes nem mesmo sabem a razão de defendê-la.

O conflito ideológico entre o velho e o novo sempre fez parte das correntes do pensamento humano, e graças a estes conflitos, temos uma base de conhecimento, ampla, diversificada, abrangente, e em alguns casos, conflitante e ambígua. O que não pode deixar de existir é a opinião e o debate, que funcionam como tentativas de se chegar à luz da verdade, por diversas tentativas de se obter êxito. Por isso, a contestação ideológica é saudável, pois visa mostrar um ponto de vista divergente que produza uma realidade mais plausível e humanamente aceita por todos. E para que este debate exista, é necessário que exista o senso crítico, a capacidade de questionar uma ideia, de contestá-la. E é claro, que o senso crítico precisa ser estimulado por meio da reflexão e do debate. Nas escolas temos a possibilidade de desenvolver o senso crítico, de desenvolver nossa reflexão de ideias, o que permite não apenas ter contato com ideias, mas discutí-las, questioná-las, e até mesmo contestá-las, apresentendo os argumentos que justifiquem sua contestação. Mas a realidade que vivemos inibe tal prática, ora por métodos rígidos e inadequados de ensino, ora por uma cultura que privilegie a cega aceitação de uma ideia, em vez de uma postura crítica diante dela.

Por fim exautemos a postura dos vanguardistas, que desbravam o universo do conhecimento e apresentam novos caminhos a seguir. A postura crítica e ativa permite a eles, mesmo enfrentando a oposição dos retóricos, que tem em alguns casos, o apoio dos neutros, trazer uma nova realidade, mudando perspectivas e transformando pessoas e o mundo.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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