Ronaldo

Só mesmo um louco para entender um fenômeno chamado Ronaldo. E ao lembrar da primeira vez que ouvi falar de seu nome, quando tinha ainda meus tenros 12 anos em 1993, e achar que só mesmo um louco para ser artilheiro do campeonato brasileiro daquele ano, de marcar cinco tentos em um único jogo, e tudo isso com apenas 17 anos. Só mesmo um louco de ser um goleiro que deixa a bola no chão diante dele, em uma cena memorável em que rápido como uma serpente, toma-lhe a bola e o coloca no lugar onde sempre deveria estar.

Só mesmo um louco para vê-lo sendo o mais jovem campeão mundial de futebol, superando o atleta do século. Só mesmo um louco de ir para a Europa e conquistar várias nações com o seu talento: Holanda, Espanha e Itália; atraindo multidões para ver suas memoráveis jogadas e seus gols fantásticos.

Só mesmo um louco de achar que ele estava acabado, que seus joelhos o levariam ao fim de sua odisseia. E só mesmo a loucura para explicar sua arrebatadora redenção, a loucura que todos nós sentimos quando venceu Oliver Khann por duas vezes e nos trouxe o penta.

Só mesmo um louco para entender sua vida louca: baladas, noitadas, mulheres, confusão, escândalos… E assim, da loucura vieram os problemas.

Mas foi-se juntar a um bando de loucos para curar-se de todas suas enfermidades e exorcizar todos os demônios que enlouqueciam sua vida. Uma paranoia delirante tomou conta de uma fiel nação, que se encantou com seus gols antológicos, suas jogadas geniais, seus lances sensacionais, acendendo no coração da nação fiel um grito desabafado de liberdade. Como eu fiquei louco de encanto e felicidade com aquele golaço contra o Santos, o qual até Pelé aplaudiu! Como fiquei louco com aquele gol decisivo contra o Inter, na final da Copa do Brasil! Momentos histéricos de felicidade e lembranças com lágrimas de alegria, e agora, saudade.

Mas o guerreiro não era mais o mesmo, e só mesmo um louco para tentar lutar no sacrifício, e assim, a estrela diminuia seu fulgor. A paixão nos leva a insanidade, uma insanidade louca de esquecer tudo o que foi feito por este fenômeno do futebol brasileiro. E perseguido, cansado, e sem ter mais forças, o artista saiu de cena.

Ronaldo é motivo de lágrimas de alegria e tristeza. Não existe paradoxo maior que este? Parece loucura. Mas toda genialidade foi antes chamada de loucura. Mais um paradoxo. Ronaldo entra para a história como aquele que chega ao status de mito ainda vivo. Um homem que lutou por aquilo que amava e será lembrado para sempre como Fenômeno.

Obrigado, Ronaldo. Já fez o bastante para estar eternamente dentro de nossos corações.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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