O apartheid social do Brasil

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Dois fatos ocorridos esta semana no Brasil me motivaram a escrever sobre um assunto que é considerado um tabu entre políticos e toda a sociedade: o apartheid social que ainda existe no país. De um lado vemos uma elite rica, dona do poder e controle político e do outro temos uma grande parcela da população sem acesso aos serviços básicos como educação, saúde e segurança, dependendo das decisões governamentais para usufruir de algum conforto. Os fatos ocorridos no país que inspiraram este artigo foram os protestos contra os protestos dos moradores do bairro de classe média-alta de Higienópolis, na capital paulista contra a construção de uma estação de metrô naquele bairro, aliada à polêmica de livros didáticos distribuídos nas escolas públicas brasileiras com erros graves de ortografia propositais nos livros de língua portuguesa e erros de cálculo nos livros de matemática.

Temos hoje uma educação básica de qualidade ruim, mais pela ausência de recursos do que pelo esforço dos profissionais de educação que heroicamente procuram manter uma educação de nível razoável, nas instituições públicas de ensino, pois amparo financeiro para a educação básica no Brasil resume-se à construção de escolas. A valorização do trabalho do professor e mecanismos que tornem o trabalho do professor melhor e mais digno são relegados a segundo plano, a não ser por cumprimento de metas quantitativas que não traduzem a qualidade do ensino ministrado nas escolas. E para piorar, não procuram oferecer qualidade ao material didático, seja pela obsolescência do material ou pela falta de controle de qualidade. Assim, vemos uma precarização da educação básica em nosso país e isto já traz reflexos na educação superior, pois já sentimos uma carência de mão de obra qualificada.

Já o caso da queda de braço entre o governo e os moradores de Higienópolis vemos claramente o conflituoso embate entre interesse público e interesse de classe social. Não pela atitude dos moradores em não querer a estação, mas pelos motivos os quais esses moradores tem em se opor à construção de uma estação de metrô no bairro. Entre as razões informadas pelos moradores, a principal queixa é que o local traria criminosos para a região. Uma justificativa descabida e apenas destinada a isola-los do restante da população, com ar de superioridade. O governo do estado cedeu e a estação será construída em outro local, o que provocou uma grande polêmica entre os moradores e os populares de outros pontos da cidade. Foi organizado inclusive um “churrascão da gente diferenciada”, um protesto organizado pela internet contra a mudança do local da estação. O protesto serviu para abrir os olhos de muita gente que julgava que a luta de classes já havia sido extinto.

Infelizmente vemos que há uma distância abismal entre ricos e pobres, os primeiros julgando ter o poder herdado dos tempos do início da era republicana e os segundos pelo descaso e falta de igualdade de oportunidades para obter de forma lícita a ascensão social. O estado pode equalizar e extinguir a luta de classes tratando a todos os cidadãos, não importando a classe social como iguais e oferecendo todo o aparato estatal para equalizar este abismo existente entre ricos e pobres, tornando a sociedade mais próspera e socialmente justa.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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