Amy Winehouse está morta

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Os fãs de música foram surpreendidos hoje com a notícia da morte de Amy Winehouse (1983-2011), encontrada morta em sua casa, em Londres, Inglaterra. Mas esta trágica notícia é uma tragédia anunciada pois os frequentes problemas com álcool e drogas levaram-na a esta direção e parecia ser questão de tempo o seu precoce fim. Dona de uma voz potente e inconfundível, sua genialidade musical, que lembrava as grandes divas do Funk/Soul mundial, se contrastava com seu estilo rebelde, desregrado e às vezes inconsequente, com rompantes violentos em escândalos que escancaravam uma vida de vícios em drogas e álcool.

Há dois legados que Amy pode deixar após sua meteórica carreira. O primeiro e mais importante e positivo foi o legado artístico, visto ao seu sucesso arrebatador e sua característica musical ímpar. O outro, tão importante quanto, porém negativo, é o legado social. Os problemas que ela teve com o vício das drogas e do álcool mostram claramente que o entorpecimento não é benéfico a ninguém, pelo contrário, corrói sua capacidade criativa, sua habilidade e por fim, destrói sua vida totalmente.

A mídia, por sua vez, tem uma parcela de contribuição na sua morte. Tabloides e sites de fofoca tornaram-na uma estrela de escândalos, exibindo em close suas bebedeiras e vexames, em nome da audiência e do capitalismo sensacionalista que contaminou muitos jornais em todo o mundo. A relação de Amy com a mídia, tão estreita e conflituosa, contrasta com casos nacionais como o de Fábio Assunção e Walter Casagrande que tiveram problemas com drogas, mas que foram blindados pela mídia (notadamente a Rede Globo, emissora à qual estas pessoas mantinham vínculo profissional), somente falando sobre o assunto após uma reabilitação. Se por um lado a blindagem torna a questão do vício um tabu, por outro, a exposição excessiva o banaliza, e até mesmo incentiva outras pessoas a fazer o mesmo.

Os locais de reabilitação de dependentes químicos são chamados de Rehabs nos Estados Unidos e Inglaterra. E Rehab é o maior sucesso de Amy Winehouse, tornando esta música um retrato de uma artista que imola hoje. Talvez Rehab seja uma sátira à uma vida desregrada, mas pode ser um pedido de socorro contra o isolamento que o vício traz. A dependência de álcool e drogas afasta o viciado das pessoas que ama e o Rehab é o isolamento de forma institucionalizada e formal. Não há recuperação de um dependente sem a reintegração deste à sociedade e à família, pois este problema não é apenas do dependente, já que este não possui mais a capacidade emocional e psíquica de enfrenta-lo. A questão do vício deve ser enfrentado pelo dependente químico e por todos que o rodeiam, sejam parentes, amigos e conhecidos. E este é o verdadeiro sentido que Rehab tem, não dito pela voz de Amy quando cantava aquela música, e sim, com as mensagens subliminares que sua vida enviava a todos nós a cada capítulo conturbado de sua, agora abreviada, vida.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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