De bolsa a pochete

Os últimos dias de tensão no mercado financeiro nos mostram que a economia mundial está cada vez mais integrada, porém frágil, pois a cada abalo na economia de um país, os demais mercados sofrem seus reflexos, gerando um clima de pânico e nervosismo.

Uma série de fatores fez com que a crise econômica se tornasse uma pandemia nos mercados nos últimos meses, a saber:

  • A batalha política no congresso americano, com a possibilidade não confirmada de calote e consequente rebaixamento dos títulos americanos.
  • O agravamento da crise das dívidas soberanas de países europeus: Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal e Itália.
  • O aumento da inflação na China, com a adoção de medidas por parte do governo chinês para conter o consumo.
  • A inflação de alimentos em todo o mundo, por conta dos desastres ambientais e climáiticos que reduziram a capacidade produtiva.
  • A tensão no oriente médio com revoltas populares.
  • O terremoto e tsunamis no Japão, em março, que paralisaram a indústria.

No Brasil, esses fatores influenciaram bastante o mercado nacional, já que o Brasil é um importante exportador de commodities agrícolas e minérios. Aliado a isso, alguns fatores internos causaram vulnerabilidades na economia brasiliera, tais como:

  • A letargia governamental por conta do esfacelamento do aparelho público para abrigar os partidos da base aliada.
  • Recentes escândalos de corrupção em ministérios importantes do governo Dilma: Casa Civil, Transportes, Agricultura e Turismo.
  • Postura pouco firme e agressiva frente a inflação crescente.
  • Intervenção estatal em importantes empresas como Vale, Petrobras e Pão de Açúcar.
  • Congresso pouco interessado em tocar grandes reformas como as tributária, política e trabalhista.
  • Fisiologispo político.
  • Descrédito da opinião pública e falta de mobilização popular frente a causas que atravancam o desenvolvimento nacional como a infra-estrutura e o aparelho público da saúde, educação e segurança.
  • Altas taxas de juros.
  • Mercado aquecido, provocando pressões inflacionárias.
  • Possível bolha de crédito.
  • Vinculação de salários à inflação, causando indexação econômica.

Diante de tudo isso, o mercado financeiro no Brasil se viu em um cenário pessimista. Ontem houve uma queda brusca de mais de 8% no iBovespa, quase prococando um circuit breaker, que é uma interrupção das operações da bolsa, caso a mesma atinja uma baixa superior a 10%.

O período é de incerteza, mas não de desespero. Quem tem projetos de curto prazo, o conveniente é retirar os papeis da bolsa. Quem tem intenção de manter o dinheiro aplicado por um longo período e não precisa de resgatar agora, pode deixar como está, pois a queda brusca se deu por pânico, e não por uma crise aguda. Agora quem quer especular o momento de comprar pode ser agora, visto que os papeis estão baratos.

A bolsa de São Paulo tinha 73.000 pontos antes da crise de 2008 e chegou a 29.000 no auge da crise da quebradeira mundial iniciada com a falência do Lemon Brothers. Ano passado, o índice da bolsa havia voltado ao patamar pré-crise, mas desde o início do ano, veio caindo o preço dos papeis. A queda é preocupante e requer atenção, pois não há consenso dos analistas de mercado sobre as perspectivas futuras da bolsa de valores de São Paulo. Há analistas que projetam uma retomada das ações da bolsa, e outros que indicam que continuaria a tender queda. Estes últimos neste momento, parecem ter a razão.

A bolsa de São Paulo, assim, se reduziu a uma pochete.

Em tempo: a bolsa recuperou parte das perdas hoje, com uma alta de mais de 5%, ainda assim, a bolsa brasileira foi uma das que mais tiveram perdas no mundo.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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