Divagações sobre o amor

O ato de amar é ver a nós mesmos em outro, de forma a este outro se tornar parte de si mesmo. É a auto-perceção no próximo, espelhada na alma e no sentimento. Quando esse amor é correspondido, deixam de existir dois seres, estes passam a coexistir como um todo formado por duas partes complementares. Quando é platônico, apenas um dos seres tenta, em vão, complementar o outro até que este amor termina, ou se torna uma obsessão patológica. Esta obsessão é um sentimento ilusório que aquele o qual sente acredita ser amor, mas não é.
Assim, de uma forma ou de outra, nos iludimos. O amor é tão abstrato que se confunde com possessão, atração, carência, afeição, pena… Deixa de ser complementar e se torna repulsivo, violento. Deixa de ser algo que complementa, para ser ponto de conflito, em que uma das partes busca abstrair da outra os empecilhos que os impedem de, harmoniosamente, se combinar.
A ilusão é inerente ao homem. Pois é o erro de sua perceção movido por seus preconceitos sentimentais e racionais. Por isso devemos aprender com os erros e as ilusões, pois corrigem nossos conceitos. E estes conceitos são conclusões transitórias, pois mudam no tempo, no espaço e no indivíduo. Aprendendo a conviver com os conceitos, desenvolvemos nossos valores que alimentam nosso caráter, e este compilado que é entendido e defendido por nós, pois devemos crer em nossos valores, designam nossa auto-estima.
Como a auto-estima é a crença nos valores que formam nosso caráter, e estes valores se formam para nós através de conceitos que, por sua vez, são obtidos por meio da experiência da interação com outros seres, podemos afirmar que o homem só é completo quando tem o amor.
E este amor é algo que vem do âmago do ser vivente, quando este entende a si mesmo e se identifica em outro ser.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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