Você não está sozinho

Você não está sozinho. Ao ouvir do próprio pai, que preferia ter um filho bandido a ter um filho(a) gay. Ao ter de ocultar de tudo e de todos os seus sentimentos. A não poder andar de mãos dadas, beijo, nem pensar. Ao ouvir risos de seus trejeitos, de sua voz, de seu jeito de ser.

Você não está sozinho. As caras feias que lhe mostram. As frases que lhe indignam. As opiniões que lhe desagradam. Aos pedidos infundados de decência. Ao abandono da família, de muitos amigos (que de fato não o são), das igrejas, do estado, do mundo.

Você não está sozinho. Está carregando injustamente todo mal e culpa do mundo. Está sendo usado como alvo para intriga e disputa de poder. Está amedrontado, estigmatizado, humilhado, muitas vezes agredido, sem defesa, sem merecimento de compaixão.

Você não está sozinho. Você foi levado na conversa, foi iludido, levado a uma emboscada, surrado, com as pernas quebradas, com o pescoço quebrado, jogado no matagal, com a boca cheia de papel, onde está escrito todo o ódio e estupidez ao qual um ser humano pode descarregar contra seu semelhante.

Você não está sozinho. Sua morte é um sinal de alerta. Um alerta de que um de nós não pode sofrer toda essa covardia sozinho em vão. De que você é um mártir que deve simbolizar em todos nós que a intolerância e barbárie precisam morrer, para nascer em nós a tolerância e o respeito ao próximo. Pois estamos cansados de ver amigos nossos tombando em solo mãe gentil sem que nada seja feito.

João Antônio Donati: você não está sozinho.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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