A esperança e o medo

Uma notícia me estarreceu, me deixou com medo.

Noticiada pelo portal UOL (Leia em http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/10/22/em-ato-pro-aecio-militantes-xingam-dilma-e-gritam-viva-a-pm.htm), relatou-se um ato pró-Aécio em São Paulo, onde as palavras de ordem eram “Dilma Terrorista”, “Fora PT”, e tinham o apoio de Eduardo Bolsonaro (deputado eleito pelo PSC em SP, filho do deputado Jair Bolsonaro, um dos autores do atentado do RioCentro em 1981), o ex-jogador Ronaldo, FHC, Paulinho da Força, entre outros. O fato de um ato a favor de um candidado se tornar rapidamente um ato de ódio a outro e ao grupo político ao qual este pertence denota claramente uma ausência de discurso do primeiro e evidencia um sentimento coletivo temerário: o fascismo.

Sim! Fascismo! Com todas as letras! Os ditos defensores da liberdade, pela moralidade e contra a corrupção, na verdade são a  favor da opressão, hipócritas e mais corruptos do que quem os critica.

Os protestos de junho foram entorpecidos e envenenados pela grande mídia e pelos fascistas que alí se instalaram, seja no “movimento contra a corrupção”, seja no “movimento pela intervenção militar no Brasil”, seja em movimentos menores e também intoleráveis, como a oposição ao programa Mais Médicos e a defesa da “Família Tradicional”, heteronormativa. Tanto é que o reflexo nas urnas foi exatamente o oposto do que se propunha nas ruas: a nova legislatura será mais conservadora e mais alinhada aos paradigmas, que nos impedem de tornar o Brasil um país mais justo, democrático e moderno.

E com a eleição de Aécio, o processo de radicalização dos paradigmas no país será catalizado, pois certamente, dadas as características que conhecemos da política brasileira, Aécio irá atendender aos anseios de todos aqueles que o apoiaram, entre eles temos Bolsonaro, Malafaia, Feliciano, Bornhausen, Bancada Evangélica, além dos ruralistas, dos defensores da terceirização, da flexibilização das leis trabalhistas, do Estado Mímimo, da Privatização, do armamentismo, do militarismo, e por fim, do fascismo.

A história, às vezes tem seus movimentos cíclicos, que muitas vezes são justificados pela falta de entendimento, ou de conhecimento das falhas que provocaram os atos que agora retornam. Não podemos permitir que a história volte a repetir tal qual em 1964. Ativistas de esquerda foram taxados de terroristas e muitos deles foram perseguidos e mortos, dada uma redemocratização falha e não pautada em desenvolvimento social. Vemos a possibilidade de deter esse retrocesso, pois hoje temos diversas vozes atuando, e não poucas, como naquela época. Temos uma democracia consolidada, e liberdades individuais garantidas.

Em 2002, o terrorismo eleitoral foi sintetizado na fala de Regina Duarte, na campanha de José Serra: “Eu tenho medo.”. Ao vencer a eleição, Lula declarou: “A esperança venceu o medo.”

Se uma parte da história precisa se repetir, que seja a de 2002, não a de 1964.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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