A “heterofobia”

Vi estampada na capa de uma revista voltada para o público cristão a matéria destacada sobre o que eles chamam de “heterofobia”, ou o movimento dos ativistas LGBT contra os cristãos e contra a defesa da heterossexualidade.

Ao ver destacada na capa da revista tal matéria, a qual confesso que não li o seu teor, fiquei pensando o que seria a realidade heterofóbica, em comparação a outra realidade, a da homofobia.

Nunca ouvi falar em casais heterossexuais sendo reprimidos por demonstrar carinho em público, sequer sofreram agressão física ou verbal por se beijarem, ou andar de mãos dadas. Também não conheço nenhum caso de uma pessoa ser impedida de frequentar um local gay por ser hetero, ou ser preterido em um processo seletivo por preferir sexualmente pessoas do sexo oposto. Também nunca ouvi falar de pessoas estupradas por gays e lésbicas (exceto quando estas pessoas têm transtornos psicológicos severos) para “correção de sexualidade”. Tampouco vi homens e mulheres mortas por gays pelo simples fato de ser heterossexuais. 

Daí concluí: a homofobia é uma triste realidade, já a heterofobia, é uma farsa.

A defesa desses cristãos em vilanizar a comunidade LGBT e forjar uma verdade como farsa e uma farsa como verdade é simples. Os paradigmas que os sustentam como poder e influência sobre as pessoas. O poder dessas igrejas está calcado nestes paradigmas (sexo apenas para reprodução, e obediência severa aos dogmas cristãos entre outros).  Porém vemos que a realidade não é estática tal qual prega a Bíblia, mas dinâmica, pois o tempo, as circunstâncias e a sociedade mudam. A diversidade sexual é para os líderes cristãos uma severa ameaça a seus fundamentos pois mostra ao homem, através de sua mais primitiva fonte de prazer, que sendo esta livre, esta liberdade se expande para o pensamento a atitude e o livre arbítrio.

Vai ter quem discorde comigo, contra-argumentando que a heterofobia é sim uma ameaça, que está no início e que deve ser extirpada o quanto antes, para que não se expanda e saia do controle. Mas ao nobre incauto, lhe questiono, para que possa refletir: por qual razão a homofobia, quando começou a ser levantada como ideias nas mentes e conversas não teve a mesma oposição e combate?

Portanto não devemos cair na tolice de defender uma ameaça que na prática, não existe, e que serve apenas para alimentar outra, real, aniquiladora e covarde. 

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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