Panelas

Ontem ouvi panelas batendo. Era o pronunciamento do partido dos trabalhadores na televisão. Estava saindo do trabalho. Era uma região onde podiam se avistar condomínios de alto padrão. Comecei a pensar.

É na panela onde a comida que comemos é preparada.

Se batemos panelas, essas panelas estão vazias.

Panela vazia é um símbolo muito forte, pois representa a vontade de comer, frustrada pela ausência de alimento, que deveria ser preparada na panela.

Mas quem bateu panela ontem, na sua maioria, não eram pessoas em boas condições sociais, que de seus condomínios, produziam um barulhento protesto?

Então, qual a fome que eles sentiam?

Fome de quê?

Lembrei agora da música Comida, cantada pelos Titãs.

Pois fome, representa também uma necessidade profunda que demanda saciedade imediata.

Mas estes que batucavam panelas protestavam contra a Dilma e contra o PT. Não defendo o governo, mas também não dou o menor apoio a esse tipo de manifestação, que, por ser balizada em condenar um acusado pela identidade e não pelo crime, faz com que o Trensalão seja apenas um equivoco e o Petrolão um crime de lesa-pátria, mesmo que ambos sejam falhas gravíssimas.

A ausência de critério deslegitima e torna o panelaço um espetáculo dantesco de desinteligência, ignorância política e hipocrisia.

Seria menos hipócrita, se estes que batem panelas também protestassem contra as ações trogloditas no congresso, contra a ocultação por parte do congresso e da mídia do SwissLeaks, contra o massacre contra os professores do Paraná, e o descaso do governo de São Paulo em relação aos seus professores, contra a falta de água, os escândalos dos trens, operação Zelotes, e por aí vai…

Mas infelizmente, essas pessoas preferem acreditar somente nos fatos que são convenientes, então… Continuem batendo enlouquecidamente suas panelas até que alguém os ouça, ou os cale…

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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