Nosso universo

Quando nascemos, temos um contato com um universo bastante restrito. Nossa família, nosso berço, nosso quarto, nossa casa. Mas aos poucos, enquanto crescemos vemos que o nosso universo conhecido aumenta de tamanho. Conhecemos outras pessoas, outros familiares, fazemos amizades e conhecemos pessoas de outros lugares, conhecemos as ruas, os condomínios, a escola, a praça. E sem perceber, vemos naturalmente esse universo conhecido se expandir mais e mais.

Através da educação escolar, leitura e meios de comunicação de massa nosso universo passa a ter conexões com o mundo a ponto que este faça se inclua, tornando-nos apenas uma parte bastante diminuta dele. Este contato com o conhecimento pode nos chocar, mas também pode nos impelir a conhecê-lo, dependendo da forma como este mundo é apresentado para nós.

O papel da escola neste processo é vital para prover as pessoas um entendimento desse universo, de modo que a pessoa se sinta parte dele e que possa assumir que também é seu agente de transformação.

Crescemos e boa parte de nossos conhecimentos são consolidados. Mas os filtros que recebemos nos geram distorções, todas elas calçadas no princípio fatalista do inevitável, do imponderável, do imutável, de um universo perene e estático. Muitas das teorias que vemos na sociedade, religião, administração e política advém desse princípio de estabilidade. E este é o grande erro. Esse geocentrismo social é a causa-mor da maioria dos conflitos humanos, pois na maioria das vezes, quer se substituir uma cultura estática por outra, em alguns casos antagônica, porém também estática. O homem teme a mudança, ainda mais quando esta é sutil. A lógica imposta ao homem é de um dualismo perverso: ou a estagnação plena, ou a mudança radical.

A sabedoria de entender a natureza, e entender que as mudanças não são pontuais, e sim constantes, é um dos mais duros ensinamentos que a humanidade precisa (e teme) aprender. Pois ao aceitar o dinamismo de seu universo, onde este continuamente se expande e muda, o homem, plenamente integrado à seu meio, passa a ter um comportamento mais inclusivo, admitindo com naturalidade a diferença e agindo de forma a incluir esta diferença em seu universo. 

O temor do Homem em admitir a mudança como um processo contínuo se dá por auto-defesa. Observe os grupos políticos e religiosos mais fervorosos. São aqueles em que seus conceitos são os mais rígidos e onde sua doutrina é embasada no imperativo de fidelidade e coerência a esses conceitos. Existe uma ligação íntima entre identidade e postura, como se a postura adotada pelas pessoas, indicassem a que grupo pertencem. O auto-conceito e a identidade agem como um catalisador, pois o anseio das pessoas em ter uma identidade pré-estreia seus pares, se ver incluso em uma coletividade induz as pessoas a fazer parte de grupos e agir de forma igual. E agindo igual, plenamente identificados em seus grupos, tendem a sentir-se fortes, pois não se sentem mais frágeis e sozinhos. E o isolamento social com a solidão são sinônimos de morte para o homem, já que seu legado biológico e social é marcado para descarte. E a cultura social que comemos tornou-se quase instintiva pela evolução das organizações coletivas humanas, dos bandos, para tribos, destes, para aldeias, cidades, concentrações urbanas, países até chegarmos a atual situação de aldeia global.

O que vemos hoje é o desgaste deste modelo geocêntrico. A ideia de que vivemos sob um universo estático e imutável coloca a humanidade em conflito com a própria natureza que o cerca e com ela mesma. Haverá um tempo que haveremos um Coppernico que possa mostrar a humanidade que não apenas a Terra, mas tudo o que há nela não são estáticos. Mas muitas pessoas ainda preferem a cômoda situação de se iludir e se defender da mudança a enfim, aceitá-lá, libertando-se de seus paradigmas. 

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s