Sobrevivemos a 2016

André Arruda sintetiza o ano de 2016 neste artigo.

Hoje é primeiro de janeiro de 2017. A sensação que se tem é mais de alívio do que de alegria, afinal, 2016 foi um ano marcante, mas com muitas questões que causam mais pesar do que regozijo, mais tristeza que alegria. Foi um ano acinzentado, onde triunfou a emoção cega e a razão míope, onde perdemos grandes ídolos na música, no esporte e atentados e tragédias nos tiraram, pelo menos por um breve momento, nossa fé em nós mesmos.

2016 foi cinzento. Foi as cinzas de uma democracia jovem, foi as cinzas de jovens atletas, foi as cinzas nos rostos de crianças refugiadas manchadas pelo terror e pela guerra. Foi o ano da intolerância, do fla-flu político, dos escândalos e das negociatas. Foi um ano cinzento para muitos brasileiros que perderam o emprego, a garantia de futuro e correm o risco de ter seu presente ainda mais sofrido. Foi o ano em que o extremismo deu as caras, que perdeu a modéstia e agrediu em plena noite de natal até a morte um ambulante que defendeu homossexuais, e que em plena escola, que deveria ser o templo do saber, se viu a morte de um jovem, filho adotivo de um casal homoafetivo. Viu-se um povo manipulado a dizer não a uma presidente, sim a uma ditadura, não a um bloco e sim a um aventureiro para governar a maior potência do mundo. Viu-se cidades brasileiras falidas e estados a beira de um colapso econômico. Viu-se cidade luz e cidades chinesas sob poeira de poluição. Viu-se desmatamento e queimadas, viu-se animais cada vez mais próximos da extinção.

2016 não foi de todo triste, até nos momentos de tristes de viu algo sublime e humano, como o que o povo colombiano fez pelas vítimas do voo da Chapecoense. Viu-se uma olimpíada e paraolimpíada na América do Sul pela primeira vez, viu-se pessoas ajudando mutuamente, lutando conta aumentos abusivos de salários de deputados e vereadores, por mudanças na ética e na política, viu-se escolas ocupadas por uma rapaziada que não corre da raia a troco de nada, que segue em frente e segura o rojão, a bomba e toda a truculência dos governos insanos do Brasil.

Este ano de 2016 foi uma prova de fogo, um teste de apocalipse. Diante de todo esse caos e desordem, o desânimo, a loucura e até a morte nos faríamos sucumbir. Mas a grande maioria de nós resistiu. E está aqui pra contar a história.

Sobrevivemos a 2016, mas o tempo não para. Ele urge. 2017 surge como o ponto chave para a mudança ou a escalada do retrocesso que se iniciou com mais vigor no ano que se findou agora. Será um desafio e tanto para aqueles que almejam dias mais prósperos, de união e de paz.

O próspero 2017 só existirá de fato, quando os sobreviventes de 2016 reconstruírem a forma de pensar humana e que esta forma de pensar não seja voltada à ganância, e sim ao próximo.

Votos renovados para um ano vindouro não se resume apenas ao desejo, pois este desejo não pode sucumbir, frustrado pela inação em realiza-lo.

Sobrevivemos a 2016. Vamos fazer com que 2017 não morra em nossos braços.

Autor: Kazzttor

André Arruda dos Santos Silva, ou Kazzttor, é paulistano. Oriundo de família humilde, mas trabalhadora, viveu seus primeiros anos de sua infância no bairro do Ipiranga, cidade de São Paulo, e em seguida, mudou-se com sua família para Diadema, município vizinho, onde vive até hoje. Ativista, blogueiro, professor de informática, amante de tecnologia, esportes e artes, André procura em suas manifestações intelectuais escritas em seus blogs ou nas organizações as quais faz parte, mostrar um jeito mais humano, irreverente e diferente de ver e entender o mundo. Atualmente é universitário, bancário, participante de atividades sindicais, políticas e ideológicas, sempre tendo como objetivo buscar nos princípios éticos e de respeito mútuo a chave de uma sociedade mais harmônica e humanamente sustentável.

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