Internet: Um porto seguro

Hoje, o senado federal aprovou o marco civil da internet, e entrará em vigor após sanção presidencial. Esta lei provocou muita discussão e polêmica, pois havia interesses de muitos setores da sociedade e da mídia neste marco regulatório.

De fato, o controle de um meio de comunicação tão plural e livre como a internet (ainda que não plenamente democrático no Brasil), nos leva a uma reflexão bastante ampla sobre o papel da mídia em nossa sociedade. Neste artigo quero destacar dois pontos que são chave de uma disputa de interesses: a neutralidade da rede e os direitos autorais na rede.

A neutralidade da rede é um tema que encontra bastante oposição por parte das operadoras de telefonia e provedores de serviços de internet. Há alguns especialistas como Ethevaldo Siqueira, que defendem que algumas aplicações como a tele-medicina tenham prioridade de tráfego. Mas, infelizmente, é sabido de todos que o intuito de estabelecer prioridades no tráfego por parte dos provedores de acesso à internet é meramente financeiro. Quem paga mais, tem maior prioridade de acesso à rede. Um exemplo é a estrutura de internet via cabo. Pergunta-se o porquê de haver diferentes velocidades (e preços), se a estrutura física de uma rede internet via cabo é a mesma, inclusive compartilhada com outros serviços como TV e telefonia. Por isso a neutralidade da rede se faz necessária, para trazer dois efeitos: inibir as operadoras a sucatear serviços de planos de acesso mais baratos e forçar os usuários a migrarem para planos mais caros, e exigir dessas operadoras, por não poder priorizar tráfego de dados, a trabalhar de forma séria na acessibilidade e qualidade dos serviços prestados.

A questão do direito autoral na rede é um embate entre o velho modelo de mídia e um rompimento de paradigma que este velho modelo representa. Desde o início do século XX, quando boa parte da produção cultural se profissionalizou, pelo advento dos meios de comunicação de massa e mídias, como a fotografia, o rádio, o cinema, o fonógrafo, e seus sucessores, vê-se a produção cultural como um produto com valor agregado. Este produto tem um valor tangível, que é a mídia na qual este produto é veiculado, e outro intangível, porém valorado, que é o direito de uso e reprodução. As empresas de mídia, imprensa, empresas de telecomunicação, produtoras de cinema e gravadoras, viram como bastante rentável a monetização plena da produção cultural. Porém, a cultura é uma manifestação social, e ao tratá-la como um produto, seu sentido muitas vezes se perde. Cria-se filtros, ditam-se tendências, e assim, viu-se a mídia como uma importante ferramenta de controle da sociedade por meio da opinião, da monopolização do comportamento e senso comum.

A internet é um meio de comunicação que não precisa de formalismos para se estabelecer a comunicação. Não precisa de alvará de funcionamento como jornais e editoras, não requer concessão pública como as TV’s e rádios. É própria do ideal de Glauber Rocha: “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, expressão essa que pode ser modernizada, como “um dispositivo na mão, capaz de espalhar ideias guardadas em nossas cabeças para um mundo conectado”. E esse modelo livre é uma ameaça ao modelo antigo do “produto cultural”, pois é uma concorrência forte e sem controle, sem liderança, sem acumulo de riqueza, de capital.

Claro que, a pretexto de defesa de direitos de execução e difusão, estas empresas de mídia querem restringir o acesso à informação. Um exemplo é a concessão de direitos de transmissão e cobertura jornalística de eventos de interesse público, como a Copa do Mundo, Olimpíadas, Shows, e até eventos políticos. Uma visão padronizada muitas vezes é formada por filtros que buscam omitir detalhes que possam comprometer a imagem desses eventos, por exemplo. Portanto, esse valor intangível da produção cultural e humana é a criação de um produto que não deveria existir, um golpe contra a livre manifestação artística e cultural em benefício de conglomerados de mídia. Os artistas ganham migalhas de direitos autorais. São as empresas que retém a maioria dos recursos de copyright arrecadados.

Este modelo está sucumbindo, mas estes conglomerados tentam a todo custo manter-se incólumes, com o uso de lobby político. Porém observa-se que existe um movimento de contraposição a este velho modelo. Com adventos tecnológicos cada vez mais acessíveis, é possível produzir cultura de qualidade a baixo custo, e a internet é o grande motor da difusão cultural. Inclusive há casos de sucesso em que a internet se tornou um meio de propagação para as mídias tradicionais. O filme “Tropa de Elite” é um exemplo. Uma versão inacabada vazou na rede, e o filme se tornou um sucesso de público, inclusive fazendo com que sua sequência se tornasse o filme de maior bilheteria da história do Brasil. Diversos novos artistas surgiram na rede. A internet tornou-se uma possibilidade de oportunidades iguais a todos. É um campo neutro em que todos jogam em igualdade de condições. Novas formas de financiamento como o Croudfounding, e novas formas de monetização sem custos elevados e sem intermediadores, mudaram o modelo de atuação e manutenção de um novo modelo cultural, independente e promissor. Este modelo descentralizado é temerário para os grandes conglomerados de mídia, pois reduzem o poder de influência que até então acreditavam possuir. E o uso do direito autoral é a arma que estas organizações tem para limitar a manifestação artística, pois muitas destas definições de direitos são baseadas em critérios subjetivos e muitas vezes vagos, apresentadas de forma astutamente jurídica, para que em caso de dissídio, sejam sempre de julgamento favorável a tais instituições.

Garantir que a internet continue sendo um campo livre, porém com normas que garantam o respeito a todos sem nenhum efeito danoso é fundamental para um marco civil perfeito. Mesmo com o projeto pronto e aprovado, a própria natureza dinâmica da internet nos impõe um debate permanente e que deve impor atualizações a este marco civil. Esta conexão não deve cair.

Os gigantes da internet vão parar

As gigantes da internet mundial vão promover um blackout nos próximos dias. Pois está em tramitação no congresso americano um projeto de lei que restringe e pune entidades que permitir pirataria. O risco é de um controle maior da Internet com censura de sites, sob a alegação de pirataria.

O ponto que deve ser discutido, não é o controle da internet, mas sim a distribuição da cultura. Vemos claramente a indústria fonográfica, cinematográfica, de mídia e de software estadunidenses fazendo lobby para o congresso de lá aprovar medidas que atendam a seus interesses e consolidem a cultura como um negócio em vez de fonte de expressão e conhecimento.

Google, Amazon, Facebook, Wikipédia e Mozilla Foundation lideram o movimento contra essa lei e são exemplos fieis de que é possível ser rentável compartilhando livremente o conhecimento. As atitudes da RIAA, sobre o pretexto de “preservar a propriedade intelectual”, visam tentar reverter, inutilmente, um processo de desmonetização da produção cultural, saindo de uma realidade de fornecimento de produtos, para o de prestação de serviços.

Preservar a propriedade intelectual não é arrenda-la, precificando-a. É garantir o prestígio de seus criadores criando mecanismos que garantam a sua autenticidade. É permitir o acesso livre à produção cultural por meio da mídia e dos meios de comunicação. É buscar formas rentáveis de fornecer conteúdo sem onerar ou penalizar seus usuários. O que a “indústria de entretenimento” estadunidense faz é ferir gravemente a cultura com sua ganância por lucros.

No Brasil, vemos o absurdo que é a indústria de software e de cultura. Uma entrada para o cinema custa em média R$ 18,00. Para o teatro, R$ 25,00, R$ 30,00. Para shows, entre R$ 50,00 e R$ 100,00. Jogos de futebol, R$ 30,00; Museus, R$ 12,00. Um DVD custa cerca de R$ 30,00 e Blu-Ray, R$ 50,00. Um DVD com o Windows 7 Home Basic custa R$ 299,00¹. Um livro Best Seller custa em torno de R$ 60,00 a R$ 160,00. Jornais de grande circulação custam em média R$ 3,00 e revistas semanais entre R$ 8,00 e R$ 12,00. Um sinal de internet banda larga com provedor custa, em média R$ 150,00. Rede elétrica R$ 50,00. O custo médio da cesta básica em São Paulo ficou próximo de R$ 300,00² e o salário mínimo, desde o dia primeiro, é de R$ 622,00³. Vendo todos esses números chegamos à conclusão que a culpa pelo fato triste que é fraca demanda brasileira por cultura é o seu acesso restrito pelo seu alto custo. Os produtos culturais brasileiros, mesmo sendo de boa qualidade tem preço totalmente fora da realidade econômica brasileira. Isto nos coloca como uma sociedade carente de cultura e que acaba encontrando em fontes ilegais o seu acesso. Ou então deve optar por garantir sua subsistência ou consumir cultura. A monetização da cultura é um meio cruel de exclusão social, pois sem recursos uma pessoa não pode ter acesso à cultura e ao conhecimento. O Estado pode contribuir com incentivos fiscais, mas os controladores da indústria do entretenimento precisam mensurar adequadamente os valores de consumo da cultura, para que este se torne acessível a todos.

Os gigantes da internet veem que a atitude da indústria de Showbiz estadunidense é um retrocesso e uma ameaça não apenas aos seus negócios, mas a cultura, às pessoas e à internet como um todo.

E ameaçam parar a web. Com toda a razão.

¹ Cf. http://www.kalunga.com.br/prod/windows-7-home-basic-brazilian-dvd-f2c-00007-microsoft/670935?menuID=40&WT.svl=4
² Cf. http://www.dgabc.com.br/News/5934926/preco-da-cesta-basica-sobe-6-51-em-2011-em-sp.aspx
³ Cf. http://pt.wikipedia.org/wiki/Sal%C3%A1rio_m%C3%ADnimo#Brasil

#ThankYouSteve

Steve Jobs * 1955 † 2011

O mundo tecnológico perdeu o seu brilho. Morreu ontem Steve Jobs, fundador da Apple, uma das empresas mais inovadoras da atualidade. Sua contribuição para tornar a tecnologia computacional próxima de nós é notável e relevante. Ao fundar a Apple Computer, junto com Steve Wozniak, em 1976, Steve não poderia imaginar que seu estilo rebelde, perfeccionista e visionário pudesse levá-lo tão longe. E nós pudemos ver que a tecnologia ficava cada vez mais pessoal, primeiro com o Apple II, com o Lisa, Macintosh, iMac em nossas mesas, seguido do iPod, iPhone e iPad em nossas mãos. Tudo de uma forma simples de entender e belo de olhar, como toda obra-prima de um grande artista.

Pareciam que Steve e Apple nasceram um para o outro. Quando foi afastado da Apple em 1985, a empresa parecia se sentir sozinha. Seu senso de liderança impunha uma leal competição fazendo com que a inovação surgisse diuturnamente como em uma linha de montagem. Somente em 1996 quando retornou a sua velha casa, que as inovações voltaram a surgir no vale do Silício.

O império da Apple Computer que é hoje, existe graças a seu desbravador. Steve poderia ser comparado a grandes gênios como Newton, Einstein, Chopin e tantos outros, mas prefiro compará-los a conquistadores como Alexandre, o Grande, e tantosn outros que desbravaram e conquistaram rincões deste mundo, com a diferença de não ter disparado um só tiro, ou ter ferido ninguém com lanças ou espadas. Conquistou um mundo inteiro com ideias novas e revolucionárias.

Claro que há controvérsias. Diziam que era exigente demais, que provocava discórdias pois seu poder de persuadir, influênciava seus subordinados a uma lealdade quase cega. Houve também ausações recentes de suicídios entre os funcionários da Foxcomm, na China, onde são produzidos os seus produtos, além do plágio do sistema de interface gráfica da Xerox, que culminou com o surgimento do MacOS.

Mas estes senãos não tiram o brilho de Jobs. Um lider do nosso tempo. Um visionário, um criativo, um descobridor de inovações. Por sua inestimável contribuição à tecnologia, muito obrigado, Steve!

Thank You, Steve!

Nasce uma nova ideia

Desde ontem, estive pensando em uma ideia de TCC, apesar de faltar ainda muito para chegar ao termino da minha facul. E me enveredei por uma ideia que comecei a desenvolver com a prática que adquiri com o ofício de professor de informática. Percebi que com um trabalho dinâmico e audiovisual, é possível passar mais conteúdo em menos tempo. Daí, ao assistir a uma aula na faculdade notei que a tecnologia pode nos ajudar no aprendizado. Esta ajuda entra em duas frentes: torna legal o que é chato e torna rápido o que é lento.

O grande problema que temos é o uso isolado de soluções de tecnologia nas problemáticas atuais. Não se trabalha, por exemplo em um conjunto sistemático e integrado de soluções que visam mitigar totalmente as questões. E este é o norte, a meta que irei perseguir neste estudo. Além de ser um estudo, é uma proposta ousada: desenvolver um projeto tecnológico de ensino que possa ser implantado rapidamente em todo território nacional, que não seja caro, que seja rápido e moderno, e que permita o desenvolvimento de um ensino de qualidade que atenda a características regionais e cognitivas individuais. Um projeto ousado. Talvez um legado para o país. Ou ainda uma grande bobagem. Mas o certo é que é uma ideia que irei investir e também dar inicio imediatamente.
Pena que ainda estou baqueado por causa da sinusite e das questões sindicais. Mas não há mérito sem esforço.

Posted by Wordmobi

Tudo por escrito

Agora estou escrevendo este post através de uma nova ferramenta do windows live: o Windows Live Writer. Com ele é possível escrever os posts off-line e depois publicá-los quando conectado à internet. Isto é ideal para quem tem computador com conexão discada ou para notebooks, em que nem sempre a conexão é disponível. Outra vantagem é que você não precisa se preocupar com o tempo de expiração da conexão nem com agilidade, pois numa interface web, dependendo da configuração da máquina, a tarefa de  redigir um post é uma coisa realmente trabalhosa. Parece que a tendência é a convergência entre o mundo conectado e o mundo desconectado.