10 minutos

A história é escrita pelos vencedores, não pelos vencidos, costuma-se dizer. Não seria possível então relatar o que foi a acachapante vitória alemã sobre o Brasil nesta Copa do Mundo.

Foram 10 minutos, que se estivessem sido excluídos do jogo trariam uma sensação de dor menos pungida do que representou aquele 7 a 1 para nós.

Mas ao contrário das arrebatadoras vitórias de Anderson Silva no UFC, o futebol não tem nocaute, e os golpes desferidos pelo time alemão entre os 20 e 30 minutos do fatídico primeiro tempo em que um placar de 1 a 0 virou 5 a 0, certamente teria abreviado e muito o sofrimento do torcedor brasileiro, se o tivesse.

O escrete canarinho nunca havia passado em 100 anos de história por tal queda, sequer em amistosos. Mas os vitoriosos frutos são colhidos em terras onde na derrota se plantaram as sementes do ensinamento.

Quase impossível aprender sem dor. E o legado que teremos é que não há mérito sem esforço. Não há merecimento sem sofrimento. Não há resultado sem humildade, esforço, trabalho duro, persistência e paciência.

E o time alemão tem tudo isso, tem mérito. E aprendeu com as derrotas: 2002, 2006, 2010, para enfim, ter a chance de colher o fruto que somente Brasil e Espanha alcançaram, o de ser campeão de uma copa do mundo fora de se seu continente.

10 minutos: tempo suficiente para mudar uma história de copa do mundo, de emudecer vozes, despertar olhares incrédulos, rolar lágrimas. Mas este é o ponto de vista dos vencidos, não dos vencedores. Isto não vira história, ou não?

Querido papai do céu

Querido Papai do Céu,

Minha mãe me ensinou desde pequeno a rezar antes de dormir para pedir em prece boa noite e dias mais felizes.

Sei que há muito tempo não faço isso, mas aprendi que a bondade que se oferece ao próximo sempre retorna de forma dobrada, sob a forma de bênçãos. E eu sei que toda vez que pratico o bem, a gentileza, o otimismo e a esperança estou rogando seu nome, não em palavras rezadas, mas em ações praticadas.

Amanhã é o dia de abençoar um grupo ao qual torcemos muito por eles. Sob eles, paira o descrédito, paira a torcida contra, inclusive com gritos de já ganhou, além do fato de que muito se conspira contra, quando se está em casa.

Lanço minhas esperanças aos futebolistas brasileiros, que com fé, suor, sacrifício e lágrimas chegaram até aqui nesta Copa. Não seria muito justo, um povo tão festivo chorar amanhã. Peço a ti, Papai do Céu, que os proteja, os abençoe e que os motive para vencer este grande desafio.

Pois sei que desejando o bem a eles, eles trarão a mim, e também sei que nesta prece, não estarei sozinho. Muitos de nós também rogam teu nome pedindo bênçãos a eles.

O senhor é justo e misericordioso. Fazei-os triunfar, e terás um povo feliz.

Amém.

O grito

Quatro de julho de dois mil e doze. Um grito, lágrimas. Uma noite em que pareceu não findar. Um dia para guardar eternamente dentro de nossos corações.

Eram cerca de onze e dez da noite, quando ouviu-se um grito de um homem em um ponto de ônibus, na zona Sul de São Paulo. Este mesmo homem junta as mãos em prece. Parecia agradecer. Chora.

O ônibus que esperava chega e ele parte. No ônibus, a tensão de acompanhar um fato aflitamente à distância. Por meio de fones de ouvido, ouvia atentamente os sons que deviam sair de um rádio. Tapava os olhos, os ouvidos, se contorcia, se recolhia, se encolhia. Parecia ter muita fé, mas também muito medo. Um paradoxal pressentimento de fracasso e triunfo que duelavam em sua mente como em um jogo de xadrez. Mas às vinte e três horas e trinta minutos veio o xeque. Gritos, tapas no vidro do ônibus e uma certeza: faltava muito pouco para a glória. Sacou de sua bolsa uma camiseta e vestiu. Agora tudo fazia sentido. Aquele homem é corintiano. A partir daí, os minutos se seguiram intermináveis. A aflição era a mesma, mas para que o relógio corresse depressa.

Poderíamos imaginar o que se passava na cabeça deste homem, mas estes minutos eram o que menos importavam. Em momentos assim costuma passar um filme em nossa mente. As glórias, os fracassos, as alegrias e tristezas de uma cumplicidade entre o homem e sua paixão. Entre um time de futebol e sua torcida. Talvez Emerson não imagina a grandeza de seu gesto, ao marcar o gol derradeiro. Talvez não imaginemos que depois de tanto escárnio, de tanto sofrimento, de engolir em seco toda a opressão, a volta por cima tivesse como desabafo, lágrimas. Apenas lágrimas poderiam traduzir aquela sensação de alívio, e enfim, triunfo. Apenas lágrimas seria a reação mais condizente e passional, naquele momento. Não eram lágrimas de dor ou tristeza, eram de alegria, de felicidade. Uma comoção que uma nação fiel sentia e outra presenciava por meio dos olhares magnéticos transmitidos a milhões de pessoas pela televisão e a outros tantos milhões que recebiam os fatos ouvidos por gogós emocionados dos cronistas do rádio.

Assim como este homem no ônibus. Este chegara ao ponto final para embarcar em outro. Mesmo a viagem ser curta, parecia interminável. O tempo custava a passar. Um celular com TV de um passageiro mostrava os últimos momentos. Nos rádios já se tocava o hino do Corinthians. O fato se confirmava. Quando o árbitro anunciou o fim da partida, parecia orquestrado. O homem desceu do ônibus no mesmo instante em que o jogo findara. Ele caminha, olha para as pessoas que comemoravam nas ruas, dando por conta que seu sonho se realizou. Chora copiosamente. Bate no peito. Entra na rua, abraça os colegas. Corre para casa, guarda suas coisas e volta para a rua com um megafone. Acabou. Era festa. Festa na favela. Eram quatro da manhã e ainda se ouviam fogos de artifício. Foi um réveillon corintiano. Um novo tempo havia chegado, o passado havia ficado para trás. Mas era o passado ruim e não o bom, que fora sepultado ali, ilustrado na melodia de Chico Buarque em que “sem perceber que era subtraída, em tenebrosas transações”. Mas esta mesma música fala de redenção, como a vivida naquela noite em que em festa, um povo ensandecido fazia um imenso carnaval.

Todo corintiano se declara maloqueiro e sofredor, e ainda agradece a Deus por isso. Pode parecer uma heresia para os ortodoxos, mas é divinamente humano esse auto-conceito. Pois a humildade em admitir que não é perfeito (maloqueiro), o orgulho em lutar (sofredor) e a fé que se tem (graças a Deus), são tão verdadeiros, a ponto de Deus ter compaixão naquele dia e sentenciar: “Hoje é o seu dia, você merece essa glória”.

Por mais que eu seja suspeito a dizer, vejo um grau de justiça e merecimento na conquista do Corinthians. Mesmo que o tal homem desta história tenha sido eu, não seria adequado narrar em primeira pessoa, pois não seria digno de um entendimento a emoção e a paixão de viver essa religião chamada Corinthians, com mais de 30 milhões de fanáticos fiéis. Pois existe ali um código que só nós corintianos compreendemos, que pulsa no coração a cada segundo de jogo. Tanto que não consigo mais traduzir ao incauto leitor este fato, pois o que houve não pode ser descrito em palavras, mas em sentimentos de alegria, fé, esperança, vontade, esforço, devoção, que só podem ser expressos no olhar, em gestos, em lágrimas, e em um grito que poderia simbolizar tudo isso de forma abstrata:

VAI CORINTHIANS!

Uma imprensa esportiva marrom

Ontem, dia 23 de junho, o jornal esportivo Marca estampou a conquista da Taça Libertadores da América pelo time do Santos, mas na manchete tratou de ofender a torcida corinthiana com a mensagem “Chupa Corinthians” e no crédito da foto da comemoração de Neymar, insinua que o Corinthians precisa aprender com o Santos a jogar a Libertadores. Isto ocorre pois o Corinthians é o único grande clube de São Paulo que nunca ganhou este certame.

O fracasso corinthiano em Libertadores não aumenta ou diminui o valor das conquistas dos rivais. Pelo contrário, são provocações irresponsáveis de jornais de péssimo nível editorial que acabam incitando a violência no futebol. Claro que uma conquista de um título provoque alguma provocação, mas esta não deve ser ofensiva como insinua o jornal.

Talvez a ideia do editor seja de fazer vender a edição pela rivalidade existente entre o Corinthians e outros grandes clubes, e até torcedores corinthianos comprassem a edição para que os rivais não o comprassem, mas este capitalismo selvagem e sensacionalista que tomou conta de parte da imprensa deste país, tornou o escárnio alheio um espetáculo. Um exemplo real de desrespeito a grupos humanos.

O torcedor corinthiano deve rejeitar essas provocações. Pois estas apenas atestam que o Corinthians é uma referência para vencedores e vencidos.

O mérito dos grandes

O mérito dos grandes é reconhecer suas fraquezas e também seus superiores pares. Não há razão para tristeza com a derrota, pois tudo o que há de torto existe para ser endireitado. O futebol me inspira muito, e nesta final de paulistão, é muito inspirador reconhecer que a derrota veio por eles serem melhores que nós. Tivemos foco, falhamos, é verdade, mas chegamos e valorizamos a glória santista, que é digna de aplausos, pois está em um esforço heroico de ser o único guerreiro brasileiro vivo na Taça Libertadores.

Ao ouvir a entrevista de Muricy, técnico vencedor, vimos claramente que o futebol é sim uma ciência exata, e requerem os parâmetros corretos, as circunstâncias dadas favoráveis para distinguir vencedores de vencidos. O fracasso corintiano na Taça Libertadores e sua derrota no Paulista, o que é um mérito, pois demonstra uma recuperação psicológica extrema de uma derrota traumática contra o Tolima, aliada a derrotas de grandes clubes brasileiros na Copa do Brasil e Libertadores, mostram que é preciso tomar alguma atitude, pois vemos o futebol brasileiro em franco declínio.

Se a gerência de nosso esporte nacional continuar intransigente, capitalista selvagem e estúpida, amargaremos um grande vexame na Copa do Mundo de 2014, não apenas fora das quatro linhas, onde vemos uma grande desorganização na condução das obras para a Copa, como dentro de campo, com um futebol dependente de alguns craques (como vimos em 2006 e 2010 em que a seleção brasileira fracassou), frente a um abismo de jogadores mal-amadurecidos que são vendidos a clubes europeus a preço de banana.

O povo brasileiro já não anseia mais ser exportador de bens primários no futebol, assim como é na economia. Os clubes de futebol têm um potencial midiático enorme, mas somente enxergam nos direitos de televisão e patrocínios os quais pedem esmola, as fontes de renda para os clubes, fora a falha condução administrativa, com estatutos pouco democráticos, leis pouco severas, permitindo a má gestão, endividamento elevado, calote fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro.

Você, torcedor brasileiro, também é culpado. Enquanto se conformar em sua zona de conforto e deixar de ser hipócrita rindo da derrota alheia e em vez de ficar protestando contra as falhas de seu time de coração, nunca veremos europeus, americanos, japoneses e africanos ostentarem com orgulho o manto sagrado de seus clubes em seus países de origem. Enquanto ficar ligado na TV, vendo seus amigos sacrificando seu sono para acompanharem no estádio o seu clube do coração, vai ficar tudo do jeito que está, pois os seus gritos não chegam aos atletas em campo. Enquanto você pensar em dar um murro na cara de um amigo seu por causa de futebol, você não será digno de ser um torcedor de seu clube. Não podemos carregar o ódio e sim a vontade de vencer, competindo, pois esta nunca se transforma em ódio e sim em amizade e companheirismo.

Sejamos francos, é hora de reinventarmos o futebol brasileiro.

Salvem o Corinthians (pelo amor de Deus)

Senhoras e senhores deste humilde blog.
A situação do corinthians (grafado em minúsculo, pois esse clube se apequenou demais para ser considerado grande) está cada vez mais insustentável.
Em crise dentro e fora do campo, a um iminente (mas evitável) rebaixamento para a série B. O clube com a segunda maior torcida do país vê 2007 como um ano de vacas magras. A parceria com a MSI, recém desfeita, que há dois anos parecia ser uma benção, tornou-se um calvário, pelos meios escusos que se obteve e agiu. Até o título brasileiro de 2005 passou a ser alvo de questionamentos, o que pode, de fato, tornar ainda mais obscura a situação do Corinthians nos próximos meses. E uma demosntração disso já ocorreu ontem com as hostilidades da torcida, no treino de ontem. Nelsinho Batista terá um trabalho herculíneo para reverter a situação do time que terá dois desafios que podem decretar a sua derrocada. Se perder para Fluminense e São Paulo, dificilmene o time encontrará motivação para escapar da degola.
As pessoas que lerem esse post vão discordar da minha opinião, mas é melhor que o corinthians caia. Isto porque todos os ratos que corroem o clube deverão sair e somente aqueles que estejam empenhados em tornar o clube vencedor permanecerão no comando.
A situação do corinthians é o reflexo do caos que vive o futebol e o esporte brasileiro, que poderia render, de fato, um papel importante para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Entretanto, os clubes esportivos no país continuam elitistas e com administração amadorística e excêntrica, muitas vezes utilizando recursos dos próprios clubes em benefício de seus administradores. É por essas e por outras que o Brasil, apesar dos talentos esportivos que possui, ainda não chegou ao status de potência olímpica.

Uma derrota maior do que a para o Palmeiras

A derrota do Corinthians para o Palmeiras por 3 a 0, ontem, é muito maior do que se imagina. As razões da péssima fase que o Corinthians atravessa (a vitória sobre o Pirambú pela Copa do Brasil é apenas um lampejo de eficiencia do time) transcende a comissão técnica e os jogadores, que são de nível intermediário ou pior, em sua maioria. A verdadeira culpa pelo mal desempenho da equipe está na diretoria do clube, que além de estar em disputas internas, que mais parece uma fogueira de vaidades, a diretoria do clube é incompetente e está pensando mais nela do que no clube.
Infelizmente, neste país, os dirigentes de clubes, não apenas os de futebol, não possuem uma visão empreendedora, ou seja, não vêem os clubes como empreendimentos, com possibilidades mercadológicas, com potencial de desenvolvimento, como possibilidade de negócios e lucro. Preferem vê-las como instituições beneficientes, que podem ser facilmente manipuladas, sem se preocupar muito com o fisco. Por exemplo, se eu fosse o presidente do São Paulo Futebol Clube, certamente já teria implementado o processo de transformação do Clube em empresa por completo, e faria um IPO para tornar as ações do clube negociáveis na bolsa de valores para capitalizar recursos para novos projetos. Isso o Corinthians poderia fazer também, se a diretoria não tivesse tão pouco compromisso em trazer melhorias para o próprio clube, fazendo uma administração responsável.
Para citar um exemplo, essa mesma falta de visão empreendedora dos clubes, aliada ao descaso governamental e da falta de visão da realidade por parte das faculdades e universidades particulares, impedem de que seja implantada no Brasil uma solução que vem sendo empregada nos Estados Unidos há décadas e que o coloca com o status de potência olímpica. A união entre universidades privadas, clubes esportivos e governo poderia de fato melhorar o nível educacional no país (obviamente se o governo investir pesadamente em educação de base), aumentar o portfólio de esportes praticados no país, e de quebra faria com que clubes e faculdades passem a ter uma oportunidade de negócio viável para baratear as mensalidades das instituições de ensino e livraria os clubes das dívidas, podendo investir na melhoria de suas atividades esportivas. Com o governo indo com os benefícios fiscais, as faculdades privadas com as bolsas e os clubes com as instalações e preparação dos atletas, certamente a um médio e longo prazo o Brasil seria uma potência olímpica, um sonho almejado por atletas e pelo povo brasileiro.
Por isso digo que a culpa da péssima fase do Corinthians nesta temporada, deve-se e muito a péssima gestão do clube, que em vez de investir em seus torcedores, convidando-os a tomar parte de suas decisões, implantando sistemas de sócio-torcedor, capitalizando recursos entre os sócios e investidores nacionais para trazer melhorias para o clube, fizeram o que fizeram, trouxeram investidores de origem duvidosa para tentar fazer algum tipo de trapaça. É fato que o Corinthians tem potencial para se tornar um clube internacional, porém não é, por sua incompetência administrativa.