Brasil: futebol e carnaval, experiência pessoal

Sou Corinthians desde criança, pra ser mais exato desde 1988. Sofri em 1993 com a perda do título para o Palmeiras, mas pude ir a forra dois anos depois. Foi em 1999 meu primeiro jogo no estádio, jogo de libertadores, o único que eu fui. Foi contra um time argentino, passamos nos pênaltis. Vi marmanjo chorar que nem criança no tobogã do Pacaembu.

Os anos se seguiram e sempre que podia, ia aos jogos do Corinthians. Vi vitórias, derrotas e até comemorei um paulista no Morumbi. Tinha alguma coisa de mágico ao ver um jogo no estádio.
Fui voluntário na Copa das confederações em 2013, já conheceu os bastidores de um estádio? Ainda mais sendo este o Maracanã. Vi um jogo de seleção pela primeira vez e tive a oportunidade de ver o último treino da seleção brasileira antes daquela histórica final contra a Espanha. No ano seguinte fui voluntário na copa do mundo. Desta vez foi na arena do Corinthians. Tinha torcedores de tudo quanto era time entre voluntários, tinha estrangeiros, tinha palmeirenses, são-paulinos, santistas e pessoas de diversas partes ajudando na copa. Depois eu fui assistir muitos jogos na arena.
Também foi incrível minha segunda passagem pelo Rio de Janeiro como voluntário nos jogos olímpicos. Foi uma festa. Ainda mais quando o futebol masculino ganhou o ouro contra a Alemanha. Mas queria que as mulheres tivessem ganhado. Uma pena.

Quanto ao carnaval eu desde criança gostava. Claro que os moralismos de minha família me fizeram desanuviar um pouco meu amor por essa época. Mas a primeira escola de samba a qual torci foi a Rosas de Ouro. A Gaviões, por razões óbvias foi a segunda, mas me cativou mesmo da Gaviões foram os dois sambas-enredo memoráveis da década de 90. Depois eu pude ver de perto os carnavais de balada e depois os bloquinhos, já muitos anos depois. Mas eu tinha um desejo de desfilar por uma agremiação. Já tinha feito isso em Diadema, pela Raposa do Campanário. Hoje eu vejo com nostalgia e com bom humor as piadas sobre a Raposa, mas foi a primeira escola de samba que desfilei, inclusive sendo campeão do carnaval da cidade por esta escola. Foi uma experiência singela, mas trouxe pras experiências que tive o ano passado e este ano.

Aliás, o ano passado foi meu batismo de fogo no carnaval paulistano. Desfilei em três escolas entre elas, a Nenê de Vila Matilde e pela Barroca Zona Sul. Íamos todo o domingo na quadra da Barroca para cantar o samba. O samba na ponta da língua foi o que fez a Barroca sair do grupo 1 e chegar ao grupo de acesso. Já a Nenê, foi menos feliz e mais sacrificante. A fantasia era muito pesada para uma ala coreografada, além de ter um costeiro pesadíssimo, com suporte indo no pescoço. Chegamos exaustos e tristes, já temendo o pior, que se concretizou nas notas e com o rebaixamento da única escola de samba paulista que foi convidada a desfilar no carnaval do Rio de Janeiro.

Hoje estou aqui de novo em uma nova maratona carnavalesca. Exausto, pois estranhamente meu corpo custa a obedecer o que minha mente ordena às vezes, mas contente por estar no carnaval paulistano outra vez.

A regra é clara

Prestenção, pois a regra é clara: não se pode colocar uma prova obtida sem autorização em um processo judicial, por mais evidente que seja. O pessoal do Fla (Lulistas, petistas em geral), está achando que é golpe. O pessoal do Flu (anti-petistas, direitistas em geral) estão achando que agora o governo da Dirma cai.

O que acho? Que não importa o que resulte, quem ganhar não vai levar.

Quanto a questão da camiseta CBF, eu boto na crítica não pelas relações escusas da CBF. Mas porque essa camisa é erroneamente tida como um sinal de patriotismo. O Brasil é um país que o patriotismo é visto como algo que se usa e se guarda de acordo com a conveniência. Quando é Copa do mundo, todo mundo é patriota. Quando se tem crise também (apesar de aparecer alguns nacionalistas também no meio dessas pessoas). Patriotismo não é conveniência, tem que estar dentro do âmago de identidade nacional, entende? Quando esse patriotismo o prejudica, é facilmente abdicado, tipo, que se foda o Brasil!

Patriotismo não é camiseta, é atitude!

Quando se cola na prova, deixamos de ser patriotas, pois a pátria nos espera que tenhamos conhecimento suficiente para sermos profissionais de excelência que ajudam-na a desenvolvê-la. Quando dirigimos embriagados, ou burlamos blitzes, ou avançamos o sinal, também deixamos de ser patriotas, pois desrespeitamos as regras que nossa pátria fez para todos. Quando furamos fila, estamos deixando de ser patriotas, pois estamos desrespeitando outros cidadãos de nossa pátria.

Sabemos que a situação está difícil e muito acontece por ingerência política. Isto é fato e temos acordo nisso! Mas não podemos agir com hipocrisia, colocando nossas atitudes em coletivo, e nos contradizendo, quando é em particular.

Acho que é isso! Chega de Fla-Flu político! Vamos empurrar esse país e pedir que essas investigações punam a todos, sem exceção!

Invertendo a lógica

Vamos inverter a lógica. Concordo que a Dirma pode ter usado um recurso desesperado pra salvar o governo chamando o Lula pra ser ministro.
Realmente é um ato que gera controvérsias de todos os lados. Só que no mesmo dia, veio o Moro e divulgou um grampo dela com o Lula. 

Não se faz gol chutando a cara do goleiro, gente! É falta!

Da mesma forma, não se pode vazar um telefonema confidencial do presidente da república. A não ser em clara conotação de crime, o que, pelo seu teor, nada é possível afirmar. 

Há semanas dizia que Dirma chamaria Lula pra ser ministro, isto é sabido de todos. O que Moro fez foi abuso de poder e pode até ser considerado crime o que ele fez. 

Agora está rolando no congresso o trâmite do impeachment, que o STF mandou voltar. É coincidência demais o Moro mandar soltar a gravação, para que haja agitação e pressão no congresso pra que o impeachment saia de qualquer jeito. 

Não estou aqui pra defender o governo! Estou aqui pra defender a legitimidade. Não importa de que lado esteja neste Fla-Flu político, mas não se pode fazer justiça sem ser justo. De nada adianta satisfazer o desejo de ver um governante destituído se esta destituição foi feita de forma ilegal. 

Pensem no amanhã. Se essa porra estoura, quem vai assumir? Os fascistas? A velha política bandida? Espero que não.

Rio de lama: a amarga tragédia em nome do lucro

Ao falar dos atentados ocorridos em Paris, muito se questionou da comoção ocorrida em contraste com o quase desprezo diante de um desastre ecológico e humanitário ocorrido em terras brasileiras, há cerca de uma semana.

Desde que foram publicadas as primeiras notícias do rompimento da barragem da mineradora Samarco, que é do grupo da Vale, eu pude acompanhar um drama, e também uma enorme distorção dos fatos.

A imprensa tida como oficial, sequer cita a Vale, como responsável pela tragédia. Também as autoridades preferem atribuir ao desastre a uma fatalidade. 

É notório e descarado a tentativa de encobrir a verdade por trás do mar de lama que soterrou distritos da cidade de Mariana, em Minas Gerais, e tal como um tsunami, vem aniquilando o Rio Doce, deixando sem água populações inteiras de Minas Gerais e do Espírito Santo, tornando-o vermelho de barro contaminado com chumbo e outros minerais nocivos à saúde.

Pra começar, a área da barragem e das comunidades inicialmente devastadas estão isoladas, e o acesso está restrito a boa parte da imprensa, fazendo com que se saiba muito pouco sobre as dimensões do desastre e o real número de vítimas fatais. A imprensa tida como oficial, está tratando de apasiguar os ânimos, dando um tratamento subestimado aos fatos e evitando ao máximo citar os responsáveis. Sequer a Vale, holding da qual a Samarco faz parte, foi mencionada em nenhuma das reportagens televisivas e da grande imprensa escrita.

As autoridades, pressionadas pela opinião pública, somente começaram a cobrar a Samarco responsabilidade e esboçaram punir a empresa só agora, mantendo a Vale incólume. A explicação é simples: a Vale doou cerca de 22 milhões de reais para partidos e candidatos nas últimas eleições. Num universo capitalista como o nosso do Brasil, doações são formas sutis e eufemistas de investir no poder público para garantir o retorno do estado sobre seus interesses.

A Vale é uma força onipresente no Brasil por ostentar uma imagem ilibada, por nada de falho constar na mídia. É o maior exportador mundial de minérios, e grande fonte de divisas para o país. Porém o desastre de Mariana evidencia claramente um processo de maquiagem da sua imagem pública.

O que a Vale, os políticos e a mídia não contavam é que a internet, as redes sociais e a imprensa independente trataram de desmascarar a farsa que está por trás da fatalidade.

Foi divulgado um vídeo denunciando essa fraude midiática. Uma repórter da Rede Globo de Minas Gerais, entrevistava um morador de Mariana, sobre o desastre. Quando o entrevistado começou a denunciar em seu relato o descaso da mineradora e da Vale, a repórter interrompeu a entrevista e o cinegrafista parou de gravar.

Relatos e mais relatos mostram a relação promíscua entre a mídia, a Vale e os políticos nessa história. E enquanto isso, cidades inteiras ao longo do Rio Doce, assistem atônitos e desesperados a agonia do rio que dava a vida e que agora morre, pela ganância de uma grande corporação.

Pergunta-se: havia um plano de emergência? Sistemas de alerta? Formas de impedir que a lama contaminasse o Rio Doce? Pela dimensão do desastre a resposta é negativa para todos os questionamentos. Não se pensou no pior, pois isto gera custos. E para uma empresa que almeja o lucro, qualquer custo é algo dispensável.

Tão dispensável, que hoje vemos o mal da ganância. O maior desastre ambiental e humanitário da história do Brasil não é tratado como tal pela imprensa do próprio país, pois o verdadeiro responsável tratou de corromper estado e mídia de antemão.

Um verdadeiro atentado coletivo contra o país.

Crise é um momento oportuno

Muito se fala hoje em crise e a crise pode ser interpretada como uma pedra no meio do caminho, fazendo uma licença poética ao saudoso Carlos Drummond de Andrade. Porém a pedra é um elemento bastante versátil, pois pode ser usada para construir um castelo, atirar em alguém ou tropeçar e cair. Depende de como essa pedra é vista.

É necessário entender a crise como um momento bastante oportuno. Crise é uma situação em que uma determinada conjuntura se encontra saturada ou estagnada e demanda mudanças urgentes. Crise implica em mudanças de visões, de paradigmas; como se diz no jargão corporativo, é pensar fora da caixa. É em alguns casos abandonar o óbvio e buscar novas alternativas, novos caminhos.

E quem tem esse entendimento, essa visão, acaba saindo na frente. Lembra da crise de 2008? Ela gerou diversas oportunidades e proporcionou grandes mudanças nas finanças e na governança em geral. Viu-se que apenas o lucro sobre o lucro deixou de ser apenas dispensável, para se tornar nocivo às relações comerciais, empresariais e sociais. E dessa lógica surgiram novas alternativas econômicas. O Crowdfunding, a economia solidária, a economia colaborativa, as startups e as novas relações comerciais e financeiras estão surgindo e proliferando da crise. São possibilidades que as pessoas poderiam enxergar, mas não enxergam, e por quê?

Pois é da natureza humana o desejo de auto-preservação, e com isso, em momentos de indefinição, a postura que temos, é geralmente de defesa e retração. Esta postura costuma descartar, quase que automaticamente, todas as possibilidades que podem nos colocar em risco, ou as quais os riscos não conhecemos. Mas tirando um pouco da passionalidade, e sendo um pouco racionais, deixamos os nossos preconceitos de lado, passamos a conhecer essas alternativas de mudança, nossa visão em relação a essa indefinição muda e passamos a enveredar por alternativas, onde antes não víamos.

Essa visão empreendedora e desapegada de paradigmas é a visão que pode ser encontrada em muitos jovens e também por pessoas experientes e conhecedoras de momentos críticos. A crença que a crise é uma oportunidade única de empreender inovação, e também uma possibilidade de assumir uma posição de vanguarda frente a uma situação onde se impera o conservadorismo, devem ser os combustíveis necessários para quem almeja uma posição de liderança. Pois o líder é o primeiro que faz o caminho onde muitos irão trilhar.

Está na hora de ver a crise com outros olhos.

Artigo publicado originalmente em minha página no LinkedIn em https://www.linkedin.com/pulse/crise-%C3%A9-um-momento-oportuno-andre-arruda-dos-santos-silva 

Sou a favor

Imagine a seguinte situação.

Uma pessoa jovem e homossexual, que tem uma família muito conservadora. Acontece que esta família descobre sua sexualidade e, impiedosa, expulsa essa pessoa de casa. Com ajuda de amigos, vai a luta, estuda, se forma e conhece o amor de sua vida, que teve a mesma história: foi expulsa de casa pelos pais, que não aceitavam sua homossexualidade. Juntas estas duas pessoas, compartilham vidas, além de compartilhar um patrimônio juntas.

Porém um dos pares vem a falecer.

Como o patrimônio produzido pelo casal é relevante, a família da pessoa falecida vem, judicialmente requerer parte dos bens, pois infelizmente, o casal não estava amparado por um testamento, e as leis não ofereciam garantias de que essa união fosse legal. 

A família da pessoa falecida ganha a ação. Judicialmente a questão pode ser correta, mas justiça não se fez ali.

No Brasil, milhões de crianças estão à espera de adoção. E milhões de pais querem adotar. Porém a conta não bate, e por quê? Pois os pais que procuram adoção querem escolher os filhos que querem adotar.

O que houve nos Estados Unidos hoje foi um marco histórico. O reconhecimento em âmbito nacional do casamento gay é um divisor de águas na história da luta LGBT por respeito, dignidade e cidadania.

Porém, ao contrário dos EUA, o Brasil pode dar um passo para trás com o estatuto da família. Casais homoafetivos não teriam mais o direito de adotar, pois este estatuto propõe um modelo excludente de família, que é o liderado por um casal heterossexual.

Não concordo com esse tipo de lei, que marginaliza pessoas. A legislação que se propõe justa, deve ter caráter inclusivo.

Ao contrário do que se pensa, pois a tola alegação dos contrários ao direito de casamento e adoção aos casais homoafetivos, leva a crer que o comportamento sexual poderia “contaminar” a educação e à formação moral das crianças. A opinião é preconceituosa e sem nenhuma base teórica.

Estamos muito próximo de atestar que boa parte do comportamento sexual humano é algo inato. E que o comportamento sexual é restrito a sua afetividade, sem afetar suas atividades profissionais, intelectuais, culturais, familiares e sociais.

Por tudo isso, só resto dizer:

Tenho muito orgulho de ser a favor do casamento gay, pois o amor sempre há de vencer. 

O conto de 20 de abril

Já no ônibus, a caminho do trabalho faltando dez pras uma da tarde, dou de cara com um outdoor de uma academia, a qual já sou cliente e me fez lembrar que não fui malhar hoje, e nem ontem. Eu não consegui acordar hoje, estava num desânimo só.

Ontem foi a razão do desânimo da manhã seguinte: por um erro alheio e por um erro próprio. O erro alheio se deu a um time de futebol que assinou um sádico regulamento de um campeonato, em que se deveria jogar 5 partidas em um pouco mais de uma semana, e ainda assim, ter que decidir nos pênaltis mesmo tendo a melhor campanha. Endividado e cansado, pressionado por uma emissora de TV, com início de temporada precoce, maratona de jogos, enfim… Sempre gostei do esporte bretão, e inclusive durante a peleja que parou São Paulo pra ver, eu estava praticando em um parque quase vazio, mas com alguns praticantes honrando a tradição brasileira de pátria de chuteiras, embora a maioria deles jogassem descalços.

O segundo erro foi meu. Embora o prejuízo financeiro foi pequeno, o prejuízo moral foi enorme, a ponto de me colar ao colchão a manhã inteira. Não foi algo que me levasse às lágrimas, mas a uma profunda reflexão. As epifanias deveriam ser eventos corriqueiros em vez de raros. O nosso ego e autoestima muitas vezes nos cegam e cerceiam o direito de aprender com nossos próprios erros. Concluí que apesar de ter tido algumas evoluções nestas últimas semanas, após períodos de reflexões e epifanias, ainda há um longínquo caminho a seguir. E ao descobrir meu calcanhar de Aquiles, vi que é preciso uma vigilância maior de modo a reforçar meus pontos fracos. Pensei em me afastar de tudo aquilo que poderia me por em risco, mas entendo que a melhor forma de vencer seus medos é em vez de fugir, conviver com eles, de modo que estes deixem de o afligir. Foi assim que parei de fumar.

Pois é. A sabedoria advém de todos os lugares. Basta ler.