17 de abril de 2016, 23:07: um atentado contra a democracia brasileira

André Arruda comenta sobre a votação do impeachment de Dilma Roussef na câmara e seus desdobramentos.

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha.

Hoje presenciamos uma página da história política do Brasil. Uma página triste, com mazelas e enganações que fez uma parte do povo brasileiro a crer que o jogo sujo do poder tinha nome e sobrenome: Dilma Rouseff.

A verdade é que o jogo sujo da política brasileira tem muitos nomes, CPF’s, CNPJ’s e Offshores fora do Brasil, cujo líder é Eduardo Cunha. Ele capitaneou o impeachment, colocando todo o PMDB e arregimentando outras agremiações pela sua votação, jogando ao mar a capitã do navio, antes que todos os tripulantes piratas fossem descobertos.

O que se viu hoje foi um motim e uma revelação dantesca, que apenas pessoas politizadas e inteligentes podem compreender. A de que os fins justificam os meios, mesmo que estes fins sejam ilegítimos.A de que no jogo do poder, vale tudo, pois o PMDB, há muito tempo almeja a presidência do país, mas curiosamente, todas as vezes que assumiu, não foi pelo voto direto (Sarney em 1985, Itamar Franco em 1992 e agora, Michel Temer).Viu-se revelar a magistratura mais conservadora, reacionária e defensora de interesses da elite dos últimos anos. Seria evidente que uma presidência com filosofia progressista fosse vista pelos congressistas conservadores como um empecilho a seus interesses.

A partir daí a situação piorou. Começou com um racha na eleição para a presidência da Câmara, com a vitória de Cunha. Depois diversas imposições de derrotas ao governo, juntamente com a aprovação de um arremedo de reforma política, que, na prática, não mudava em nada, principalmente no tocante ao financiamento de campanhas e partidos. Em seguida, as pautas-bomba, ataques a direitos, como a liberação total da terceirização, a mudança na demarcação de terras indígenas, a flexibilização (!) do trabalho escravo, o estatuto da família e do nascituro, pautas que agridem os trabalhadores, os direitos humanos e as minorias. Por fim o impeachment, por conta das pedaladas fiscais praticadas no mandato anterior, inclusive com assinatura de ordens de manejo pelo Temer, sem contar que é prática usual em estados e municípios, o que poderia impor um risco jurídico enorme a diversas cidades e estados, se a coerência fosse a tônica na política brasileira, mas como não é…

A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato.

O alvo dos deputados é outro para forçar a queda da Dilma. É ela quem deu carta branca para a PF e a justiça federal para investigar livremente, e a bomba caiu no colo dos políticos. A maioria dos deputados que disseram sim ao impedimento de Dilma tem nomes e partidos envolvidos na operação Lava Jato. O juiz Sérgio Moro, não sabemos qual a dele, mas o que vejo agora é que ele se enveredou pela vaidade de ser um juiz que liderou a maior operação de investigação contra a corrupção da história do país. Imaginando ser igual a operação Mãos Limpas na Itália, optou por divulgar para a imprensa os resultados das investigações, para que a o Brasil fosse tomado de comoção popular e pressionasse as autoridades a punir e apurar com rigor a roubalheira. Mas a mídia brasileira é enviesada. A própria mídia fez filtragens para destacar os pontos que comprometessem o executivo e faria uma “cobertura soft*” de pontos que poderiam comprometer parlamentares e partidos de oposição. A explicação para isso é que a maioria das emissoras de rádio e televisão possuem controle direto ou indireto de políticos, muitos deles envolvidos nos escândalos.

A mídia mostrou uma cara deturpada do escândalo. Martelavam-se diuturnamente notícias da Lava Jato, relacionando ministros, estatais e deputados com pagamento de propina. A comoção para clamar a queda de Dilma logrou êxito por três fatores:

  • O trato da mídia em tratar a questão da corrupção como problema de governo, e não como um problema de Estado, visto que depois, revelou-se que os esquemas de propina já existiam desde 1986.
  • O preconceito que há sobre a corrupção, por entender que a revelação dos atos ilícitos recai a culpa sobre o governo que está aí, ou seja, que a população pensa que só existe a corrupção quando um escândalo aparece, o que não é verdade, pois falcatruas ocorrem em diversos cantos do país e são poucos os que acabam tornando-se públicos.
  • O anti-esquerdismo, manifestado pelo anti-petismo e o anti-lulismo, onde uma parte da população de classe média alta, passou a hostilizar os partidos de esquerda por conta de sua pauta social de busca de corrigir as desigualdades sociais e políticas do país. Por ser sempre tidos como privilegiados, ao perder o foco governamental, e assim o privilégio de outrora, passou a hostilizar os favoráveis à pauta de esquerda.

Basta observar o perfil dos manifestantes dos protestos pró-impeachment. Eu tive que olhar as pesquisas e fazer algumas especulações a respeito. Pra começar, a faixa etária, muitas pessoas de meia idade e com idade mais avançada. Passa pela classe social, muitos ganham acima de 4000 reais mensais, e passa pela escolaridade, muitos possuem ensino superior completo. Nas áreas de atuação, temos empresários, profissionais liberais e funcionários públicos.

Do outro lado temos os manifestantes contrários ao impeachment. Muitos de classe mais baixa, camponeses, com escolaridade variada entre analfabetos e também graduados. Temos muitos jovens, pessoas de raças negra ou parda, trabalhadores da indústria comércio e serviços, assalariados, com renda bastante variável também.

Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

Os primeiros, chamados de coxinhas, os segundos, de mortadelas (por achar que estão nas manifestações em troca de dinheiro e comida). Isto levou a uma polarização política que pode resultar em um jogo perigoso, em que o congresso nacional com o impeachment, decidiu pagar pra ver.

O futuro

Após a aprovação na câmara, o julgamento do impeachment vai para o senado. Aprovado, a presidente Dilma é afastada por 180 dias e assume o Vice, Michel Temer. Eduardo Cunha assumiria o posto de Temer na linha sucessória. O problema é que Temer, Cunha, seus asseclas do PMDB, PP e outros partidos, estão envolvidos em escândalos de corrupção. E um alerta de um magistrado do Conselho Nacional de Justiça revela a verdade: nos últimos 14 anos, não sofremos nenhuma interferência governamental nas investigações que realizamos. Pode não ser crível, mas uma das consequências de um governo Temer é a interferência nas investigações para abreviar e inocentar os políticos corruptos. Seria igual a anistia de 1979, mas só os militares seriam liberados de todas as culpas. Já se cogita anistiar Cunha de sua cassação por fazer com que o Impeachment fosse aprovado. O que seria de fato, a desmoralização política do Brasil.

(…) empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

O aparelhamento político de estatais e ministérios não é apenas moeda de troca para apoio político, mas sim importantes tentáculos de partidos e políticos sem escrúpulos para obtenção de dinheiro ilícito oriundo de propinas, para abastecer candidatos e campanhas eleitorais. A não mudança da forma de financiamento de partidos e campanhas não foi a toa, é pra permitir que empresas continuem investindo em seus candidatos, pois empresa não doa, investe, para depois ver seus interesses políticos defendidos pelos políticos que ajudou a eleger.

Por ter encontrado o bode expiatório, no caso a presidente Dilma, todo noticiário sobre corrupção magicamente cessaria, pois o objetivo dos políticos que controlam a mídia foi alcançado, de manter a corrupção praticada por eles longe dos holofotes da opinião pública.

E para o povo brasileiro, lamentavelmente, nada mudaria, a carga tributária elevada com retorno cada vez mais pífio na qualidade de serviços públicos e acesso a estes. A situação crítica, no entanto, é proposital. Nossa cultura cristã, fatalisticamente, vai querer rogar por heróis, e estes, os políticos, na maior cara de pau, vão se apresentar a nós como exemplos de moralidade e bem comum, prometendo como sempre, mas nunca cumprindo e enriquecendo às nossas custas.

É este o futuro que queremos?

Em tempo: há uma ação nos bastidores para que Dilma reduza seu próprio mandato e convoque eleições para presidente ainda este ano. Seria uma saída honrosa para uma presidente que foi queimada na fogueira política pela corrupta inquisição cristã de Cunha. Mas só considero de valia se deputados e senadores também pudessem ser novamente escolhidos.

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*Cobertura Soft: termo cunhado pelo então diretor de jornalismo da Rede Globo de Televisão, Armando Nogueira, para explicar como foi feita a cobertura jornalística das greves do ABC no final da década de 1970, onde se havia apenas a captura de imagens, sem som ambiente, e com a declaração de vozes patronais e não sindicais. Esta declaração está no documentário “Muito Além do Cidadão Kane (Beyond The Citizen Kane)”produzido pelo Channel 4 da Inglaterra, em 1993.

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A auditoria das dívidas soberanas

Uma das bandeiras que se levantam em diversos países é o da auditoria da dívida soberana. Ou seja, a realização de um balanço amplo para detectar e mensurar o tamanho da dívida pública de um país.

Depois das crises nacionais da Argentina, Grécia, Itália, Espanha e outros países, a necessidade de se auditar a dívida para que se limpe a dívida de agiotagem e capital especulativo se faz urgente.

Os países, assim como pessoas e empresas, captam recursos para financiar seus custos e prover melhorias. E também, de acordo com seu histórico de dívidas e pagamentos, apresentam uma reputação perante o mercado. Porém o capital especulativo pode corromper e manipular os mercados visando maiores lucros. Foi assim com o escândalo de manipulação cambial ocorrido em 2009 e no qual o Real foi envolvido, e a batalha nos tribunais que o governo argentino trava contra os credores que não aceitaram o acordo de parcelamento da dívida em 2001.

As dívidas soberanas precisam de regras claras para não serem alvo do capital especulativo. A especulação da dívida pode ser proporcionada pela manipulação de mercados onde os países atuam, ou ainda, pela especulação de papeis, forçando países a aceitar condições de crédito abusivas.

Mas antes de definir as regras, é preciso saber exatamente o tamanho da dívida. E é aí que a auditoria entra. A auditoria vai definir quais os papéis estão válidos, quais estão com credores sérios e quais estão no jugo da especulação financeira. Pois ainda há a possibilidade de países ter cobrança de dívidas já caducas, ou inválidas. A auditoria da dívida visa separar o joio do trigo e leva aos países uma maior segurança e responsabilidade sobre o déficit público, assim como busca dar maior credibilidade aos papéis públicos, protegendo-os do capital especulativo. 

Após a auditoria da dívida, a gestão da dívida fica mais simples e mais segura, podendo inclusive, criar mecanismos para que boa parte da dívida fique a salvo do capital especulativo. Por exemplo, tornar boa parte dos títulos nominais, de modo que apenas o credor que tem posse sobre o título, tenha direitos sobre ele. Assim, a dívida pública, manteria-se sob controle, e possibilitaria que países possam se proteger de juros agiotas, manipulação de papéis e evasão de divisas, sem contar no incentivo ao investimento direto, que é um portante gerador de riquezas.

A auditoria da dívida pode ser o primeiro passo para que países possam estar a salvo de crises, onde para honrar seus compromissos, acabam aumentando os ônus financeiros sobre o cidadão. Este é o que mais sofre com as crises financeiras, pois o dinheiro que paga em tributos, acaba no bolso do desonesto especulador. 

10 minutos

A história é escrita pelos vencedores, não pelos vencidos, costuma-se dizer. Não seria possível então relatar o que foi a acachapante vitória alemã sobre o Brasil nesta Copa do Mundo.

Foram 10 minutos, que se estivessem sido excluídos do jogo trariam uma sensação de dor menos pungida do que representou aquele 7 a 1 para nós.

Mas ao contrário das arrebatadoras vitórias de Anderson Silva no UFC, o futebol não tem nocaute, e os golpes desferidos pelo time alemão entre os 20 e 30 minutos do fatídico primeiro tempo em que um placar de 1 a 0 virou 5 a 0, certamente teria abreviado e muito o sofrimento do torcedor brasileiro, se o tivesse.

O escrete canarinho nunca havia passado em 100 anos de história por tal queda, sequer em amistosos. Mas os vitoriosos frutos são colhidos em terras onde na derrota se plantaram as sementes do ensinamento.

Quase impossível aprender sem dor. E o legado que teremos é que não há mérito sem esforço. Não há merecimento sem sofrimento. Não há resultado sem humildade, esforço, trabalho duro, persistência e paciência.

E o time alemão tem tudo isso, tem mérito. E aprendeu com as derrotas: 2002, 2006, 2010, para enfim, ter a chance de colher o fruto que somente Brasil e Espanha alcançaram, o de ser campeão de uma copa do mundo fora de se seu continente.

10 minutos: tempo suficiente para mudar uma história de copa do mundo, de emudecer vozes, despertar olhares incrédulos, rolar lágrimas. Mas este é o ponto de vista dos vencidos, não dos vencedores. Isto não vira história, ou não?

Querido papai do céu

Querido Papai do Céu,

Minha mãe me ensinou desde pequeno a rezar antes de dormir para pedir em prece boa noite e dias mais felizes.

Sei que há muito tempo não faço isso, mas aprendi que a bondade que se oferece ao próximo sempre retorna de forma dobrada, sob a forma de bênçãos. E eu sei que toda vez que pratico o bem, a gentileza, o otimismo e a esperança estou rogando seu nome, não em palavras rezadas, mas em ações praticadas.

Amanhã é o dia de abençoar um grupo ao qual torcemos muito por eles. Sob eles, paira o descrédito, paira a torcida contra, inclusive com gritos de já ganhou, além do fato de que muito se conspira contra, quando se está em casa.

Lanço minhas esperanças aos futebolistas brasileiros, que com fé, suor, sacrifício e lágrimas chegaram até aqui nesta Copa. Não seria muito justo, um povo tão festivo chorar amanhã. Peço a ti, Papai do Céu, que os proteja, os abençoe e que os motive para vencer este grande desafio.

Pois sei que desejando o bem a eles, eles trarão a mim, e também sei que nesta prece, não estarei sozinho. Muitos de nós também rogam teu nome pedindo bênçãos a eles.

O senhor é justo e misericordioso. Fazei-os triunfar, e terás um povo feliz.

Amém.

O momento propício

Este é o momento propício para o gigante acordar de novo.

Todos os governantes de estados e da união estão apreensivos, afinal, este é um ano eleitoral. Também é um ano curto, com carnaval em março e um mês de Copa do Mundo em junho, o que irá parar o Brasil inteiro.

Saiba que os impostos aumentaram. Em diversas cidades o reajuste do IPTU foi muito acima da inflação. Também os juros aumentaram por conta do aumento da taxa Selic. Também houve reajuste de tarifas de ônibus, além do aumento da gasolina em Dezembro.

Bolsonaro, o maior fascista do país, quer ser, pasmem, presidente da comissão de Direitos Humanos. Seria como dar a chave do galinheiro à uma raposa muito astuta.

A molecada da periferia quer fazer o rolezinho, mas os olhos tortos de uma sociedade elitista de shopping não deixa. Acha que é um bando de baderneiros que querem fazer arrastão, vê se pode?

Pois é, amigos, o exemplo vem de baixo, ou melhor, do Sul. O Uruguai aprovou o Casamento Gay, legalizou a Maconha e vive em paz, e enquanto isso, pastor deputado e ex-gay (vê se pode) quer processar a Rede Globo, pois mostrou dois homens se beijando, na novela. Mas mulher pelada no carnaval, MMA, Rachel Sherazade, Cidade Alerta e Brasil Urgente pode passar na TV numa boa, né?

Pode propaganda subliminar? No mundo inteiro não pode, mas no Brasil pode, acredita? O CONAR é uma propaganda enganosa. O SBT tem o comercial mais rápido do mundo, em uma inserção de frações de segundo para anunciar os frasquinhos de perfume Jequiti. Ninguém faz nada.

E o nosso metrô paulista? Lotado, enguiçado, e o nosso governador Adolfo Alckmin fala que está tudo bem e que a última pane foi vandalismo. Duvido que esse calhorda se atreva a pegar o metrô as seis e meia da manhã para ver como o metrô está bem LOTADO! São Paulo é um estado que tem o Lucas Silva e Silva governando, um cara no mundo da lua!

E por falar em copa, padrão FIFA só nos estádios, né? Um pouco de bom-senso falta não apenas ao futebol (Paulo André que o diga), mas ao país inteiro. Arrumaram a sala de visitas, mas o resto da casa continua igual: imunda e bagunçada.

E aí torcida brasileira? Vai continuar deixando ser representados pelos bandidos de Oruro, pela Homofobia verde, pela batalha campal nas arquibancadas, pelas brigas de torcidas combinadas, pela invasão do CT? Chega de permitir que idiotas acabem com a diversão que todas as tardes de domingo nos levou a sermos os melhores do mundo. Os “Hoologans Falsificados” precisam ser confiscados pela justiça e ser impedidos de entrar em um local que não se destina a ser uma praça de guerra, e sim, um local a contemplar o futebol-arte.

Olhou o seu salário, e o preço da comida? Já foi humilhado pelo seu chefe, pelo seu professor? Já foi assaltado? Já teve noite em que não conseguiu dormir por causa de barulho na rua? Está de saco cheio das idiotices que passam na TV? Cansado das injustiças e aborrecimentos que o rodeiam?

Não faça justiça com as próprias mãos, como a Rachel Sherazade. Faça como a Staroup: Proteste!!!

E não se esqueça de votar direito. Não faça na urna o que você faz no banheiro.

O pranto

Eu havia chegado ao meu trabalho aos prantos em abril. No dia anterior teve greve e eu parei, meus amigos e colegas de trabalho não me entenderam, muitos entraram com medo de ser assediados, mesmo eu pedindo para ficar do lado de fora. Teve confusão, polícia, e me senti um fraco, um inútil que queria lutar por todos os que queriam um trabalho melhor, uma empresa melhor que tratava as pessoas com mais respeito e consideração.

Hoje eu volto para minha estalagem aos prantos. Mas era prantos diferentes. Eu vi que haviam pessoas que pensavam como eu, que lutavam por um país melhor, que foram às ruas por lutar por seus interesses, que não tiveram medo de polícia, que gritaram palavras de ordem, que disseram não à tudo que renegavam.

Em abril eu fui um dos poucos grevistas da Verbo Divino.
Hoje sou um dos 100 mil manifestantes do Rio de Janeiro.

A BONDADE VALE A PENA, SIM. Lutar pelos outros vale a pena! E sou feliz por ser um guerreiro pelas causas de meus semelhantes.

Cada lágrima valeu muito a pena, é a emoção de ser brasileiro e ser ativista.

#OBrasilAcordou

A Primavera vem vindo!

Vocês são os culpados!

Polícia para quem precisa!? Polícia para quem precisa de polícia!?

Se você é fascista, burguês, aplauda o escárnio dos policiais agredindo gratuitamente os manifestantes que agiam de forma pacífica, quinta em São Paulo, Sábado em Brasília e ontem no Rio.

São vocês que querem a redução da maioridade penal!
São vocês que são contra o casamento igualitário!
São vocês que são a favor do absurdo da “cura gay”!
São vocês que querem a ditadura militar de volta!
São vocês que acham que manifestantes são vândalos, que mendigos são lixo humano e que bandido bom é bandido morto (mesmo que apenas pareçam bandidos)!
São vocês que odeiam o pobre, o negro, o índio e não querem que vençam na vida!
São vocês que são contra as cotas raciais e sociais nas faculdades públicas!
São vocês que são contra os 10% do PIB para a educação!
São vocês que fecham os olhos para a realidade, que querem apenas a solução dos efeitos e não das causas.
São vocês que botam a culpa no governo, numa hipocrisia absurda de fugir da responsabilidade!
São vocês que reclamam com os amigos que o Brasil está uma merda, que seu trabalho é uma merda, que seu patrão é um filho da puta, mas chamam de vagabundos aqueles que lutam por você, que vão às greves, que vão às ruas, que se manifestam, enquanto preguiçosamente preferem não fazer nada!
São vocês que falam mal dos sindicatos, mas que não foram em nenhuma assembleia, não fizeram piquete, não pararam um dia sequer com medo de descontar o salário!
São vocês que esperam por um messias, quando tem de fato a força!
São vocês que pensam em vocês mesmos, segundo à risca a Lei de Gerson, e esquecem que estamos todos no mesmo barco, e se cada um remar para o seu lado, o barco nunca sairá do lugar!

Façam o favor, olhem o redor, e vejam que o mundo que vocês viviam mudou, e ficaram estagnados no tempo. Olhem o sorriso amarelo, o pão e o circo, a rotina desgastante de notícias ruins e tentem acordar dessa letargia. Não me inquieta os gritos dos ímpios, mas o silêncio dos justos.

De que lado você está? Cada neutro é um oportunista! E cada oportunista é um Canalha! Vamos, levanta! Desperta! Esta é a hora de sair da zona de conforto, do medo da tragédia, para buscar uma glória maior! Pois a realidade já é trágica e nos envenenou aos poucos, entorpecendo lentamente.

ACORDA!!!!!!!!!