A lógica do árbitro ladrão

O ser humano sempre é capaz de criar lógicas a seu bel prazer. Não precisam que elas sejam verdadeiras, bastam que sejam verossímeis. Inclusive criam-se lógicas irreais, mas verossímeis para acobertar outras, reais, porém prejudiciais a dados interesses. O domínio da verdade angaria poder e isso faz com que mesmo que tal lógica exposta como verdadeira, não o seja de fato, quem a profere ganha poder se for aceita por outras pessoas. Poder, verdade e crença possuem laços íntimos que influenciam as ações humanas.

Falarei sobre a lógica do juiz de futebol ladrão. Se a arbitragem comete um erro que prejudica seu time, logo, esse árbitro favoreceu intencionalmente o adversário. Partindo dessa lógica, o juiz é ladrão. Houve um roubo, um acerto, uma corrupção, uma mala preta para que tal resultado se confirmasse à revelia de nossa vontade apaixonada e cega de torcedor de futebol. E pela cegueira histérica que a que cometemos diante da desilusão, a caixa de Pandora do ódio e da mentira se abre para tecer teorias que confirmem a incredulidade de que recusamos a aceitar. A cultura do Juiz Ladrão faz parte do mundo do futebol, mas acoberta algo mais sério. Centraliza a interpretação da regra em torno de uma, ou três pessoas (com os árbitros de linha de fundo, seriam 5, mas os resultados não tem sido tão efetivos), além de, no Brasil, a arbitragem esportiva não ser profissional. O árbitro profissional de futebol é uma das soluções que podem reduzir o erro, pois o árbitro é preparado e pago para isso. Mas está muito além da questão técnica ou simplista a solução para acabar com o “favorecimento da arbitragem”, pois sabemos que há quem se beneficie do erro.

Imagine quantos jornais deixarão de ser vendidos, quantos pontos de audiência deixarão de ser alcançados, quantos cliques não serão feitos e quanta repercussão deixará de existir sem a polêmica arbitragem das noites de quarta ou das tardes de domingo.

O mundo é movido por conflitos, e no futebol, como qualquer ação humana, não é diferente. O ponto de vista se aguça quando a dúvida, intencional ou não, se apresenta. A ausência de dúvidas elimina a subjetividade e com isso, o conflito se desfaz. Liderar uma posição de conflito é cômodo, pois é possível “inventar poder” influenciando pessoas a agirem de maneira. O homem é impelido pela ação e pela competição, e criar um ambiente de competição ou de conflito é garantir a quem criou esse ambiente poder e influência. Fica evidente que quem implanta polêmicas angaria poder, ou busca também o concentrar em um determinado ponto.

Clubes, federações e CBF, em troca de contratos de transmissão com a mídia, mantém um status quo no futebol brasileiro para que mantenha um nível de atratividade e influência, como parte de uma contemporânea política de pão e circo, porém sem o pão.

Enquanto isso, se inventa uma visão estereotipada do futebol brasileiro com heróis e vilãos. E na categoria de vilãos, está o Juiz Ladrão.

Conheci pessoalmente o árbitro tido como um dos árbitros mais envolvidos em polêmicas no futebol brasileiro. Thiago Peixoto era um jovem professor de academia, que, por acaso, descobri que também era árbitro de futebol. Um professor atencioso, muito focado no trabalho e muito boa pessoa. A última vez que ouvi falar dele, foi no último final de semana, quando, no clássico entre Náutico e Santa Cruz no Recife, se envolveu em outra polêmica e chegou a ser agredido por um jogador do Santa Cruz, que deu uma cabeçada(Fonte: https://m.futebolinterior.com.br/futebol/Brasileiro/Serie-B/2017/noticias/2017-11/arbitro-que-pegou-gancho-em-sp-leva-cabecada-no-classico-de-recife).

Aos olhos da imprensa que gosta de polemizar, Thiago é um Juiz Ladrão. Aos olhos éticos, pode ser tido como um árbitro instável e que comete erros. Erros como muitos árbitros cometem, como muitos jogadores cometem e como todos nós, seres humanos, cometemos.

O erro é algo inerente ao comportamento humano. Não tolerá-lo é uma atitude que pode fazer exatamente o oposto do que se propõe: eliminar ou anular os efeitos do erro. Thiago é uma vítima da estigma que o persegue: de que todo árbitro de futebol é ladrão.

O primeiro passo para começar a atacar a cultura do Juiz Ladrão é tratar o assunto como erro, e não como favorecimento, apesar de que o futebol faz parte de um torpe universo de casas de apostas (manipulação de resultados), lavagem de dinheiro (crime organizado investindo em futebol), fraude fiscal, evasão de divisas, sonegação fiscal (venda de atletas com ocultação de valores), corrupção (propinas e superfaturamento em obras esportivas, programas e eventos), uso político (alienação da população, favorecimento de clubes, renúncia fiscal e lobby), e muito mais em um verdadeiro jogo sujo.

Declarações como a do diretor do Palmeiras frente aos erros da arbitragem cometidos no clássico contra o Corinthians deveriam ser alvo de punição, pois inflamam a sua torcida a tensionar a rivalidade e desviar o foco dela contra as críticas contra os jogadores que falharam na partida e também foram responsáveis pela derrota do time do Palmeiras.

São os manipuladores e mafiosos do mundo da bola os verdadeiros ladrões e que fazem o futebol se tornar uma amostra de quão injusto é esse mundo. Mas para não ficar evidente, precisavam de um bode expiatório, um culpado.

Sobrou para o juiz.

Extraído de: https://kazzttor.blogspot.com.br/2017/11/a-logica-do-arbitro-ladrao.html

Uma revolução no Futebol Brasileiro

Enquanto o C13 fecha com a RedeTV e os dissidentes fecham com a Globo, vemos um marasmo e e uma realidade cruel que nos desestimula a acompanhar o futebol brasileiro, de tamanha escória que se formou nesta organização. Frente a isto, fiz o seguinte comentário em um blog:

Pobre o país que se vê dependente de um cidadão Kane.

O poder da bola corroeram suas mentes, amigos. Nunca vi tamanhas bobagens escrotas nos comentários. Para começar, é muita estupidez achar quem clube vive apenas de direitos de transmissão televisiva e se o clube que você torce pensa assim, ou mude de time ou proteste contra a direção deste clube.

Os clubes europeus possuem estratégias de marketing mais voltadas ao torcedor. Para se ter uma ideia, Barcelona e Real Madrid, por exemplo, possuem milhares de SÓCIOS, com direito a voto e tudo, não essa palhaçada de SÓCIO-TORCEDOR que inventaram aqui, que é um torcedor que não tem voz e nem vez nas decisões do clube. Assim esses canalhas chamados cartolas mandam e desmandam e fazem mesquinharias que põem seus clubes à falência e seus torcedores à vergonha.

Não existe monumento maior à essa estupidez gerencial que contamina o futebol do que C13, Globo, CBF e essa disputa imbecil. Não poderia fazer como a FIA? Criava uma agência de Televisão, que criaria toda a estrutura televisiva padronizada e licenciava a TODAS AS EMISSORAS que tivessem interesse em transmitir? Uma FOM do futebol brasileiro, que tal?

Ou ainda, POR QUE NÃO SINCRONIZAR O CALENDÁRIO DO FUTEBOL BRASILEIRO COM O DO FUTEBOL EUROPEU, PARA ESTANCAR A SANGRIA DE CRAQUES NO MEIO DO BRASILEIRÃO? Já repararam que nossos principais jogadores vão embora do principal certame do país no meio do campeonato, prejudicando clubes e o torcedor, esvaziando a disputa e tornando um campeonato de quem segura mais os jogadores, vence?

Por que não organizar essa zona de futebol brasileiro criando uma estrutura hierárquica de torneios? Que palhaçada de Séries C, D, E, F… Poderia criar uma estrutura em que torneios estaduais e regionais valessem vagas para as copas do Brasil e no máximo Série C. E quem disputassem os torneios nacionais não disputariam os torneios regionais/ estaduais, permitindo assim que houvesse brasileirão o ano inteiro, com jogos apenas nos finais de semana (Série C na Sexta, Série B no sábado, e Série A no domingo), podendo colocar a Copa do Brasil somente às quartas-feiras, e às 21:30 da noite no máximo (QUE SE DANE A NOVELA).

Já pensaram em protestar, amigos? Em vez de gastar as suas energias insultando uns aos outros com seu orgulho infantil de torcedor burro, por que não fazem algo inteligente? Comprem o ingresso, e em vez de entrar no estádio, fiquem na porta, protestando contra a má-gestão de seus clubes.

Essa coisa imbecil de violência no futebol é uma estratégia dos próprios clubes que financiam e apoiam as torcidas organizadas, para criar uma política de ódio, desviando a atenção de suas torcidas para que não se voltem contra suas falcatruas, roubalheiras e desmandos. ABRAM OS OLHOS, CONSULTEM OS FATOS!

O QUE ESPERAM PARA UMA REVOLUÇÃO NO FUTEBOL BRASILEIRO? CONTINUAR NO CONTROLE REMOTO? OU ASSUMIR O CONTROLE?

Como imaginei, o autor do blog não publicou o comentário. Entretanto, o registro está aqui.