Não somatizarás teu sofrimento

André Arruda fala sobre somatização de sentimentos.

Em minha franca vida já chorei muitas vezes. Incontáveis vezes. Já chorei sem motivo é também por motivos bobos. Já chorei escondido, já chorei na frente dos outros, mas nunca consegui me ver chorando, apesar de ter tentado algumas vezes.

Hoje não choro com tanta frequência. Pelo menos fisicamente. Um misto de resignação e tristeza costumam preencher o vão existente deixado pela impossibilidade de chorar. Ao não conseguir externalizar o que se sente, temos um sintoma de que esteja se habituando a somatizar seu sofrimento, a ponto de essa ação se tornar involuntária.

Ao meu ver, somatizar significa tentar absorver rapidamente uma situação traumática ou desfavorável. Porém isso implica em engolir o choro, e mesmo sofrendo, tentar seguir adiante. Uma das necessidades que construímos em um mundo de sociedade moderna é o da reputação social, e chorar, sofrer, acusar o golpe sofrido, é sinal de fraqueza. Mas em um mundo cada vez mais competitivo, é exigido de nós cada vez mais coisas a ponto de ser quase impossível darmos conta de tudo.

Nos deram os trabalhos de Hércules, mas não nos deram o dom de sermos semideuses.

E diante dessa impossibilidade, aparentar ser forte é uma saída para, pelo menos, se ver aceito por uma sociedade cada vez mais exigente. Se as mulheres de Atenas não precisam honestas, elas devem parecer honestas. E muitos de nós conseguimos ser amélias atenienses, porém somatizando, absorvendo toda a carga pesada e dolorosa que nos põem em nossas costas.

Somatizar é danoso. É um veneno que sufoca nosso corpo, nossa mente e nosso espírito. Torna o corpo tenso, faz com que apliquemos uma força descomunal contra nós mesmos, para que o desatino que recebemos simplesmente suma dentro de nós mesmos. E isso traz reflexos, estressa nosso corpo e mente, tira nossa sensibilidade, pois a mente transforma a somatização em um hábito. E por consequência, fragiliza o corpo, reduzindo nossas defesas naturais, nossa força, fazendo-nos cada vez mais sedentários e assim sujeitos a mais doenças, como ansiedade, depressão, problemas de hipertensão, coronários, AVC, diabetes, obesidade e por fim, a morte.

Não devemos somatizar nosso sofrimento!

É preciso fazer como os chineses, que quando notam algo de ruim no corpo, tem que expulsá-lo. Rancor não se guarda, ranço também, nem trauma, nem ódio, nem farpas, nada que te cause dor precisa ficar no seu corpo e na sua mente.

Grite! Chore! Meta o louco! Dê perdido! Respire fundo, deixe esse sangue ruim sair do corpo, para que o sangue novo preencha seu lugar. Não precisa fugir para um lugar distante, basta sintonizar-se consigo mesmo no seu quarto.

Só você e Deus, ou a divindade que põe sua fé.

Não devemos esquecer de nossas prioridades, que muitas vezes esquecemos. Muitas vezes damos valor a coisas sem importância e esquecemos de coisas realmente importantes como nós mesmos.

Nessas horas que nos sintonizamos, e que buscamos nos desintoxicar dos males que o mundo nos causam, é que devemos nos recordar das nossas prioridades, devemos resgatar nossa humildade, de que não somos heróis ou semideuses, de que somos seres humanos, que riem, choram, agem gozam e sofrem os momentos de nossas vidas.

Se eu quiser falar com Deus.

Toda vez que começa essa música de Gilberto Gil, mas com a interpretação emocionante de Elis Regina, sou tomado por uma emoção enorme. É sugestiva a letra, pois para entrarmos em sintonia com Deus (ou com nós mesmos) precisamos ser autocríticos e para isso, exige-se franqueza e humildade extremas.

E assim, poderemos chegar ao nada, como diria a letra da canção. Nada daquilo que esperávamos encontrar.

Palavras ao vento

André Arruda faz divagações sobre sentimentos, ao retornar a escrever em seu blog depois de muito tempo.

Havia muito tempo que não passo por aqui para escrever alguma coisa. Parece que neste momento estou pagando uma dívida comigo.

Diferente de outros costumeiros escritores, a velocidade de meus dedos não é tão veloz quanto a de meu pensamento. Muitas palavras acabam passando desapercebidas por entre meus dedos e acabam ficando de fora da tela.

Mas hoje é um pouco diferente. A mente também está lenta, vazia de ideias. Minha inquietação e impaciência se dá pela inspiração que não vem, ou quando vem, não consigo captá-la para os meus textos. Isso me atormenta e me aturde.

Vivemos sobre tempos sombrios. Todo o cálice de dor temos a impressão de ter bebido. E tal sofrimento nos castiga, mas a cada golpe a nós imposto, acaba calejando nossos corpos mentes e almas. Nos tornamos cada vez mais insensíveis, menos empáticos e menos receptivos aos outros. Nos isolamos a ponto de nos ilharnos num oceano de incerteza, medo e ignorância.

Tento a todo custo resistir a todo o mal que me cerca, mas a esperança vai desvanecendo a cada revés. Com olhar resignado, sigo meu caminho, mesmo não sabendo qual o seu destino e a quantos estamos indo.

São palavras que o vento leva. Palavras que expressam a esperança de ter esperança. Tentar pintar uma cor onde houver uma paisagem cinzenta.

Marielle e Madalena

André Arruda fala sobre a morte de Marielle, relacionando com Maria Madalena.

Uma notícia me pungiu de dor. Marielle foi morta. Uma mulher de fibra, de favela, do povo do Rio, uma lutadora guerreira. Isso me lembrou de Madalena.

Madalena, foi acusada de adultério. Estava prestes a ser condenada, mas um profeta de Nazaré, mostrou a aqueles que a perseguiam que todos somos iguais em virtudes em defeitos. E que o ódio os condenavam. Isso me relembrou Marielle.

Marielle ousou defender o povo humilde, criticou a intervenção de segurança do estado do Rio, denunciou a violência policial, foi a antítese do senso comum do povo da periferia e da favela: formada na universidade, não se dobrou ao crime organizado, nem se contentou em ser lacaia de uma sociedade brasileira patriarcal, elitista e excludente. Isso me fez lembrar novamente de Madalena.

Madalena teve sua história amputada pelo cristianismo. Sua história não se resumiu a apenas um episódio. Há evangelhos apócrifos que descrevem Madalena como apóstola. Uma liderança feminina e lutadora que não seria admitida em um universo em que o homem sempre foi líder. Isso me lembrou Marielle.

Pois querem covardemente amputar sua história, com omissões e mentiras. Omitem que ela tem uma companheira, e que é militante feminista e LGBT. E mentem quando dizem que ela tinha relação com o tráfico, que foi eleita pelo comando vermelho, que foi mãe adolescente.

As pedras de ódio que não atingiram Madalena foram os tiros que atingiram e mataram Marielle.

O ódio e a insanidade são as regras invisíveis que regem nossa sociedade. Atos covardes praticados de humanos contra humanos por egoísmo, vaidade e insensatez.

Madalena representava tudo que naquela época, era a mudança necessária que rejeitavam.

Marielle representa tudo o que hoje precisamos mudar para que possamos nos ver como iguais.

Poderíamos ser todos Madalenas e não fomos. A história nos deu outra oportunidade. Sejamos todas as pessoas Marielles.

Marielle vive!

Marielle, presente!

Hoje não é dia de parabéns

8 de março. Dia internacional da mulher. Parabéns???

Não. Dar parabéns a mulher por seu dia de luta contra a desigualdade de gênero é no mínimo, deboche. Afinal, ainda estamos muito longe de essa data marcante em nosso calendário deixar de fazer sentido.

Apesar de a maioria da população brasileira ser feminina, ganham menos, mesmo com média de escolaridade maior, sofrem mais com a crise, pois são as preferidas a ser dispensadas, possuem maior dificuldade em ascender na carreira profissional, e são preteridas para seleções em cargos de chefia.

Fora a jornada dupla que tem que enfrentar, já que em um país patriarcal, machista e misógino como o nosso, todos os afazeres domésticos são de sua incumbência. De fato é uma desigualdade injusta.

Hoje não é dia de parabéns, é dia de luta, é dia de desculpas, é dia de empatia. Não podemos achar que no dia 8 de março sejamos benevolentes com as mulheres, quando o resto do ano tratamos com desprezo e desrespeito.

Sobretudo às mulheres trans que são todos os dias assassinadas neste país e não tem espaço nenhum no mercado de trabalho, caindo muitas delas na prostituição para sobreviver.

Não podemos esquecer que este dia é um dia de lembrar que houve muitos avanços a começar pelos direitos do trabalho e o direito ao voto no início do século passado. A mulher vem ocupando seus espaços e a luta é para que não haja barreiras para que elas continuem exercendo sua liberdade e dignidade. Pois lugar de mulher é onde ela quiser.

Não diga parabéns para a mulher pelo seu dia. Diga obrigado, diga desculpe, diga estou contigo.

Brasil: futebol e carnaval, experiência pessoal

Sou Corinthians desde criança, pra ser mais exato desde 1988. Sofri em 1993 com a perda do título para o Palmeiras, mas pude ir a forra dois anos depois. Foi em 1999 meu primeiro jogo no estádio, jogo de libertadores, o único que eu fui. Foi contra um time argentino, passamos nos pênaltis. Vi marmanjo chorar que nem criança no tobogã do Pacaembu.

Os anos se seguiram e sempre que podia, ia aos jogos do Corinthians. Vi vitórias, derrotas e até comemorei um paulista no Morumbi. Tinha alguma coisa de mágico ao ver um jogo no estádio.
Fui voluntário na Copa das confederações em 2013, já conheceu os bastidores de um estádio? Ainda mais sendo este o Maracanã. Vi um jogo de seleção pela primeira vez e tive a oportunidade de ver o último treino da seleção brasileira antes daquela histórica final contra a Espanha. No ano seguinte fui voluntário na copa do mundo. Desta vez foi na arena do Corinthians. Tinha torcedores de tudo quanto era time entre voluntários, tinha estrangeiros, tinha palmeirenses, são-paulinos, santistas e pessoas de diversas partes ajudando na copa. Depois eu fui assistir muitos jogos na arena.
Também foi incrível minha segunda passagem pelo Rio de Janeiro como voluntário nos jogos olímpicos. Foi uma festa. Ainda mais quando o futebol masculino ganhou o ouro contra a Alemanha. Mas queria que as mulheres tivessem ganhado. Uma pena.

Quanto ao carnaval eu desde criança gostava. Claro que os moralismos de minha família me fizeram desanuviar um pouco meu amor por essa época. Mas a primeira escola de samba a qual torci foi a Rosas de Ouro. A Gaviões, por razões óbvias foi a segunda, mas me cativou mesmo da Gaviões foram os dois sambas-enredo memoráveis da década de 90. Depois eu pude ver de perto os carnavais de balada e depois os bloquinhos, já muitos anos depois. Mas eu tinha um desejo de desfilar por uma agremiação. Já tinha feito isso em Diadema, pela Raposa do Campanário. Hoje eu vejo com nostalgia e com bom humor as piadas sobre a Raposa, mas foi a primeira escola de samba que desfilei, inclusive sendo campeão do carnaval da cidade por esta escola. Foi uma experiência singela, mas trouxe pras experiências que tive o ano passado e este ano.

Aliás, o ano passado foi meu batismo de fogo no carnaval paulistano. Desfilei em três escolas entre elas, a Nenê de Vila Matilde e pela Barroca Zona Sul. Íamos todo o domingo na quadra da Barroca para cantar o samba. O samba na ponta da língua foi o que fez a Barroca sair do grupo 1 e chegar ao grupo de acesso. Já a Nenê, foi menos feliz e mais sacrificante. A fantasia era muito pesada para uma ala coreografada, além de ter um costeiro pesadíssimo, com suporte indo no pescoço. Chegamos exaustos e tristes, já temendo o pior, que se concretizou nas notas e com o rebaixamento da única escola de samba paulista que foi convidada a desfilar no carnaval do Rio de Janeiro.

Hoje estou aqui de novo em uma nova maratona carnavalesca. Exausto, pois estranhamente meu corpo custa a obedecer o que minha mente ordena às vezes, mas contente por estar no carnaval paulistano outra vez.

A lógica do árbitro ladrão

O ser humano sempre é capaz de criar lógicas a seu bel prazer. Não precisam que elas sejam verdadeiras, bastam que sejam verossímeis. Inclusive criam-se lógicas irreais, mas verossímeis para acobertar outras, reais, porém prejudiciais a dados interesses. O domínio da verdade angaria poder e isso faz com que mesmo que tal lógica exposta como verdadeira, não o seja de fato, quem a profere ganha poder se for aceita por outras pessoas. Poder, verdade e crença possuem laços íntimos que influenciam as ações humanas.

Falarei sobre a lógica do juiz de futebol ladrão. Se a arbitragem comete um erro que prejudica seu time, logo, esse árbitro favoreceu intencionalmente o adversário. Partindo dessa lógica, o juiz é ladrão. Houve um roubo, um acerto, uma corrupção, uma mala preta para que tal resultado se confirmasse à revelia de nossa vontade apaixonada e cega de torcedor de futebol. E pela cegueira histérica que a que cometemos diante da desilusão, a caixa de Pandora do ódio e da mentira se abre para tecer teorias que confirmem a incredulidade de que recusamos a aceitar. A cultura do Juiz Ladrão faz parte do mundo do futebol, mas acoberta algo mais sério. Centraliza a interpretação da regra em torno de uma, ou três pessoas (com os árbitros de linha de fundo, seriam 5, mas os resultados não tem sido tão efetivos), além de, no Brasil, a arbitragem esportiva não ser profissional. O árbitro profissional de futebol é uma das soluções que podem reduzir o erro, pois o árbitro é preparado e pago para isso. Mas está muito além da questão técnica ou simplista a solução para acabar com o “favorecimento da arbitragem”, pois sabemos que há quem se beneficie do erro.

Imagine quantos jornais deixarão de ser vendidos, quantos pontos de audiência deixarão de ser alcançados, quantos cliques não serão feitos e quanta repercussão deixará de existir sem a polêmica arbitragem das noites de quarta ou das tardes de domingo.

O mundo é movido por conflitos, e no futebol, como qualquer ação humana, não é diferente. O ponto de vista se aguça quando a dúvida, intencional ou não, se apresenta. A ausência de dúvidas elimina a subjetividade e com isso, o conflito se desfaz. Liderar uma posição de conflito é cômodo, pois é possível “inventar poder” influenciando pessoas a agirem de maneira. O homem é impelido pela ação e pela competição, e criar um ambiente de competição ou de conflito é garantir a quem criou esse ambiente poder e influência. Fica evidente que quem implanta polêmicas angaria poder, ou busca também o concentrar em um determinado ponto.

Clubes, federações e CBF, em troca de contratos de transmissão com a mídia, mantém um status quo no futebol brasileiro para que mantenha um nível de atratividade e influência, como parte de uma contemporânea política de pão e circo, porém sem o pão.

Enquanto isso, se inventa uma visão estereotipada do futebol brasileiro com heróis e vilãos. E na categoria de vilãos, está o Juiz Ladrão.

Conheci pessoalmente o árbitro tido como um dos árbitros mais envolvidos em polêmicas no futebol brasileiro. Thiago Peixoto era um jovem professor de academia, que, por acaso, descobri que também era árbitro de futebol. Um professor atencioso, muito focado no trabalho e muito boa pessoa. A última vez que ouvi falar dele, foi no último final de semana, quando, no clássico entre Náutico e Santa Cruz no Recife, se envolveu em outra polêmica e chegou a ser agredido por um jogador do Santa Cruz, que deu uma cabeçada(Fonte: https://m.futebolinterior.com.br/futebol/Brasileiro/Serie-B/2017/noticias/2017-11/arbitro-que-pegou-gancho-em-sp-leva-cabecada-no-classico-de-recife).

Aos olhos da imprensa que gosta de polemizar, Thiago é um Juiz Ladrão. Aos olhos éticos, pode ser tido como um árbitro instável e que comete erros. Erros como muitos árbitros cometem, como muitos jogadores cometem e como todos nós, seres humanos, cometemos.

O erro é algo inerente ao comportamento humano. Não tolerá-lo é uma atitude que pode fazer exatamente o oposto do que se propõe: eliminar ou anular os efeitos do erro. Thiago é uma vítima da estigma que o persegue: de que todo árbitro de futebol é ladrão.

O primeiro passo para começar a atacar a cultura do Juiz Ladrão é tratar o assunto como erro, e não como favorecimento, apesar de que o futebol faz parte de um torpe universo de casas de apostas (manipulação de resultados), lavagem de dinheiro (crime organizado investindo em futebol), fraude fiscal, evasão de divisas, sonegação fiscal (venda de atletas com ocultação de valores), corrupção (propinas e superfaturamento em obras esportivas, programas e eventos), uso político (alienação da população, favorecimento de clubes, renúncia fiscal e lobby), e muito mais em um verdadeiro jogo sujo.

Declarações como a do diretor do Palmeiras frente aos erros da arbitragem cometidos no clássico contra o Corinthians deveriam ser alvo de punição, pois inflamam a sua torcida a tensionar a rivalidade e desviar o foco dela contra as críticas contra os jogadores que falharam na partida e também foram responsáveis pela derrota do time do Palmeiras.

São os manipuladores e mafiosos do mundo da bola os verdadeiros ladrões e que fazem o futebol se tornar uma amostra de quão injusto é esse mundo. Mas para não ficar evidente, precisavam de um bode expiatório, um culpado.

Sobrou para o juiz.

Extraído de: https://kazzttor.blogspot.com.br/2017/11/a-logica-do-arbitro-ladrao.html

O branco do olho

Canso de ouvir dizer que o Brasil é um país dividido, com multifacetadas multidivisões que nos colocam a um paradoxal lema de cada um por si e Deus por todos.

Ainda temos a tola concepção de buscar diferenças nas pessoas e qualificá-las como defeitos, a ponto de ao discriminar a diferença como defeito, estaríamos nos colocando em vantagem por ser igual aos demais.

A cor, o credo, a orientação sexual, o posicionamento político, a ausência ou presença de alguma particularidade física, nos coloca em posições opostas, quando na verdade nos deveria por em um mesmo lado diverso e multifacetado que é a raça humana.

O ser humano é um ser diverso e plural, mas muitas pessoas almejam o oposto, ser algo padronizado e igual.

A diferença é uma posição cultural. É uma forma de estimular a competição em uma sociedade industrial e que perdeu na história, seu senso de humanidade. Vivemos sob o imperativo do fazer, vivemos sob uma comunicação mais publicitária que informativa. Vivemos sob um pensamento cada vez mais forte do descarte humano, quando não alinhado a seus padrões morais.

Quando deixaremos de viver nossa visão daltônica e míope de sociedade? Quando deixaremos de idealizar uma realidade e começarmos a construir uma realidade melhor, mas baseada na realidade? Quando deixaremos de enxergar o outro como estranho e sim, como simplesmente o outro?

Precisamos parar de reparar nos detalhes do outro que nos dividem e sim, nos detalhes que nos unem.

Que comecemos, então, pelo branco do olho.